Confrontos eclodiram durante a madrugada em Mogadíscio, lançando colunas de fumo para o ar, enquanto a polícia da Somália anunciava uma operação em grande escala contra milícias.
“Uma operação de segurança em grande escala conduzida pelas forças de segurança da capital está a chegar ao fim. Esta operação visa neutralizar as milícias fortemente armadas que lançaram ataques com morteiros contra certos bairros da capital”, escreveu a polícia, em comunicado.
Trocas de tiros já tinham ocorrido em Mogadíscio na quarta-feira, com o ex-primeiro-ministro somali Hassan Ali Khaire a afirmar ter sido vítima de um ataque por parte de forças governamentais.
O porta-voz da polícia somali, Abdifatah Adan, por sua vez, afirmou que as forças de segurança foram “atacadas por milícias”.
A Somália voltou a mergulhar numa crise aberta duas semanas depois de o Presidente Hassan Sheikh Mohamud ter sido autorizado a permanecer no cargo, apesar de o mandato ter expirado.
Isto após as negociações para a transição do processo político com a oposição terem fracassado.
Os acontecimentos precipitaram-se quando a principal coligação da oposição, a Aliança para o Futuro da Somália, anunciou o fracasso das negociações de última hora com o Governo e com a comunidade internacional para tentar resolver a situação.
Num comunicado, a aliança denuncia o fracasso das negociações “devido à recusa” de Mohamud, já identificado como “ex-presidente”, e da sua administração “em alcançar um acordo político baseado num processo de transição inclusivo, no consenso nacional e na responsabilidade partilhada para ultrapassar o vazio constitucional resultante do fim do mandato presidencial em 15 de maio de 2026”.
Todos os esforços para convocar eleições até essa data fracassaram praticamente antes de começar, por múltiplas razões.
Estados separatistas como Puntland e Jubaland romperam o diálogo com o Governo por se oporem às alterações constitucionais promovidas pelo Presidente para incentivar eleições diretas num país que, segundo a oposição, estruturalmente não está preparado para tal.
Além disso, persiste a ameaça constante da violência de grupos armados como o al-Shabaab ou o Estado Islâmico. Outro estado separatista, a Somalilândia, foi recentemente reconhecido por Israel numa decisão sem precedentes.
Todos estes fatores colocaram o país à beira da fragmentação, enquanto o Presidente se mantém firme no argumento de que a revisão constitucional sob a qual o país funciona atualmente estabelece um novo limite de mandato de cinco anos que, em teoria, lhe permitiria continuar a governar legitimamente para além de meados deste mês.
“O meu mandato e o do Parlamento são de cinco anos. Esperemos até 15 de maio de 2027. A Constituição está em vigor e a eleição será de uma pessoa, um voto”, declarou Mohamud num fórum público, citado pelo jornal The Daily Somalia.







