No início da pandemia da Covid-19, cidades e países por todo o mundo começaram a realizar testes aos esgotos em busca de evidências do novo coronavírus, na esperança de detetar o aumento de infeções de forma precoce.
Agora, os investigadores estão a ajustar essa estratégia optando por testar resíduos de hospitais individuais ou outros edifícios, visando localizar, o mais rapidamente possível, surtos de Covid-19 e detê-los com testes e isolamento, segundo noticia a ‘Reuters’.
Embora o vírus se espalhe principalmente através de gotículas expelidas pela boca e pelo nariz, o patógeno também pode ser identificado em dejetos humanos. Testar os esgotos é mais barato e menos invasivo do que desinfetar centenas de pessoas, para além de que pode ser feito com maior frequência.
Com o vírus novamente a ressurgir em grande parte do mundo, escolas, hospitais e lares têm de detetar novos casos mais cedo. «O que estamos a tentar fazer é identificar surtos antes que estes aconteçam», explica Francis Hassard, professor da Universidade de Cranfield, no Reino Unido, e membro de um projeto que começou a recolher amostras em 20 escolas secundárias de Londres no mês passado.
A equipa de Hassard, financiada pelo governo britânico, pretende expandir a amostragem para pelo menos 70 escolas. O programa é um projeto de pesquisa destinado a testar a abordagem, contudo ainda não é se trata de um sistema de vigilância completo.
Este não é o primeiro estudo desta matéria. Na província canadiana de Alberta, investigadores da Universidade de Calgary recolheram amostras de três hospitais locais, incluindo o local de um surto recente no qual 12 pessoas morreram.
A equipa ainda estava a definir os seus métodos quando o surto começou. Assim que voltaram para testar as águas residuais, descobriram que a quantidade de material genético do novo coronavírus tinha aumentado 580% com a sua disseminação, disse Kevin Frankowski, diretor executivo da Advancing Canadian Wastewater Assets.
«Vimos uma mudança muito significativa. Foi uma prova realmente forte de que esta abordagem funciona», afirmou. O projeto partilha dados com os Serviços de Saúde de Alberta, que administram os hospitais da província. Se os níveis subirem novamente, a equipa pode responder ao testar indivíduos ou tomar outras medidas para mitigar a propagação, dependendo da situação, segundo Frankowski.
Também nos Estados Unidos, a empresa de serviços GHD testou as águas residuais em algumas residências universitárias e recentemente começou a promover um serviço em lares que já atraíram um «interesse significativo», segundo Peter Capponi, diretor da GHD.








