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Com que letra se escreve a recuperação económica?

Por Ricardo Florêncio

Vamos deixar a semântica e os eufemismos de lado e focarmo-nos no que é mesmo importante e fundamental. A austeridade não vai chegar, apenas porque já chegou! A partir do momento em que mais de um milhão de portugueses passaram a auferir 2/3 dos seus rendimentos, atendendo a que há mais 100 mil desempregados do que havia no início deste ano, e muitos mais milhares de pessoas viram os seus rendimentos mensais diminuírem radicalmente, ou mesmo passarem a zero, é evidente que a austeridade já chegou. E com grande estrondo! Quando se olha para as empresas, e se percebe que uma parte significativa delas tiveram, até agora, três meses com quebras de facturação muito acentuada e algumas com facturação zero, percebe-se que faz muito pouco sentido estar-se a falar se vai haver, ou não, austeridade. Ela já cá está! Austeridade, pobreza… O que interessa, mesmo, é dedicar a nossa atenção à forma como vamos mitigar os efeitos desta crise devastadora e tomar as medidas correctas que permitam proceder ao relançamento da Economia que tanto necessitamos. Sabemos que vai ser uma recuperação lenta e longa. Mas todos estamos à espera de ver como vai ser e qual o ritmo que terá. Ou seja, com que letra se escreverá esta recuperação. Não será certamente em V e, talvez, nem em U. Não creio que seja um L, pois isso seria o descalabro total, e uma previsão em W será certamente um exercício académico. Por isso, acredito que a curva “Nike” será aquela que, pelos dados que dispomos hoje, se pode prever como sendo a mais próxima da realidade.

Mas toda esta recuperação económica, e também social, está correlacionada com a confiança. A confiança das empresas de que vai haver recuperação para que sintam algum conforto e segurança nos investimento que têm de fazer; a confiança dos consumidores, para voltarem a ser consumidores; a confiança do Estado, nomeadamente na vertente da Saúde; a confiança na União Europeia, que terá de ser uma verdadeira União Europeia; a confiança dos outros países para voltarem a ser o nosso principal motor de crescimento com as exportações; das populações dos outros países para que voltem a fazer turismo em Portugal; a confiança dos mercados, que têm de acreditar nestes planos de recuperação e investir; a confiança da população que tem de ter esperança… São muitas repetições da palavra confiança, mas essa é mesmo a palavra-chave para que tenhamos esperança e possamos começar a caminhar em direcção à recuperação.

Editorial publicado na revista Executive Digest nº 170 de Maio de 2020

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