Com pratos, talheres, dinheiro e caixas de mirtilos: É assim que a Fenprof exemplifica a (falta de) progressão de carreira dos professores

O Presidente da Federação Nacional de Professores, Mário Nogueira, realizou esta sexta-feira uma conferência de imprensa para denunciar a falta de progressão de carreiras dos professores portugueses. 

Simone Silva

O Presidente da Federação Nacional de Professores, Mário Nogueira, realizou esta sexta-feira uma conferência de imprensa para denunciar a falta de progressão de carreiras dos professores portugueses.

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Para exemplificar como a situação acontece, o responsável utilizou diversos utensílios como símbolos, começando com dinheiro. “Vamos ver um exemplo: a nossa carreira tem 10 escalões, o primeiro, simbolizado com uma moeda de 1 euro, o quinto, com uma nota de 5 euros, o sétimo com a moeda nova de 7,5 euros e o décimo escalão, com a nota de 10 euros”, explicou.

Depois, Mário Nogueira recorreu a pratos: “Estamos numa escola, que é um saquinho com 15 pessoas a serem avaliadas. Nestes dois pratos, de muito bom e excelente, só podem ficar 25%, sendo que o máximo no excelente são 5%. Ou seja, se em 15 professores, sete tiveram excelente, só um é que lá pode ficar e os outros seis têm de passar para o prato do muito bom”, justificou.

O responsável acabou por destruir os pratos, numa alusão àquilo que acontece com os professores. “A nossa carreira está a ficar feita em pedaços, exatamente porque (o ministério) está deliberadamente a destruí-la”, reiterou.

“Vamos imaginar agora uma caixa de mirtilos”, continuou o dirigente sindical. “Nela estão os professores todos de um país, que vão concorrer às vagas. Nestas progressões era suposto que cada vez que as pessoas reunissem os requisitos para progredir, à colherada fossem passando para o escalão seguinte, mas não. Quando chegam ao quarto escalão, a colher que os passava é reduzida para uma colher que só vale metade”, disse.

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Vítor Godinho, também dirigente da Fenprof presente na conferência, deu números a todos estes exemplos. “Em 2018 ficaram retidos, no conjunto do quarto e sexto escalões, 534 docentes. No ano seguinte, foram 2158. Em 2020 baixou ligeiramente para 2022 docentes retidos, mas não perdemos pela demora”, afirmou.

“Em 2021, último ano para o qual há dados, ficaram retidos 4571 docentes,. Ou seja, num só ano, de 2022 docentes retidos, passamos a ter 4571 docentes que deviam ter progredido na carreira e não o fizeram”, um número que mais do que duplicou. “Se considerarmos os quatro anos, de 534 passamos para 4571″, concluiu. 

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