Com a pandemia, um cenário negro: os números da pobreza em Portugal

Portugal subiu nos rankings da União Europeia dos países onde há mais risco de pobreza e mais desigualdades, perdendo terreno em vários indicadores para outros países do grupo dos 27.

Pedro Zagacho Gonçalves

A pandemia da Covid-19 veio aumentar os níveis de pobreza e desigualdades sociais em Portugal, nos últimos dois anos, como revela um relatório da Fundação Francisco Manuel dos Santos, com dados da plataforma Pordata, a propósito do Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza.

Portugal subiu nos rankings da União Europeia dos países onde há mais risco de pobreza e mais desigualdades, perdendo terreno em vários indicadores para outros países do grupo dos 27.

A Multinews traça-lhe um retrato das camadas mais pobres da população portuguesa e da realidade estatística da pobreza em Portugal:

Mais população em risco de pobreza
– O número de portugueses em risco de pobreza ou exclusão social disparou em 12,5% em 2020. Esta subida, a primeira desde 2014, significa que existem 2,3 milhões de portugueses considerados pobres.
– A taxa de risco de pobreza, antes dos apoios sociais, subiu para 43,5%, um aumento de 1,1% face a 2019. Os dados após os apoios são ainda menos animadores: a taxa sobe para 18,4%, um aumento de 2,2% face ao ano anterior.
– O rácio de desigualdade na distribuição de rendimento subiu de 5 para 5,7
– Portugal regista, assim, uma queda em todos estes indicadores face aos 27 países da União Europeu, chegando a subir cinco lugares, para o 8.º, na tabela dos países com mais população em risco de pobreza.

Os mais afetados pela pobreza
– Estabelecem os dados que, em geral, são as famílias com crianças, os menores de 18 anos e os desempregados os que foram mais afetados pela pobreza em 2020.
– As famílias compostas por um adulto com pelo menos um filho e por dois adultos com três ou mais crianças dependentes apresentam uma taxa de risco de pobreza de 30% e 29%, respetivamente.
– 46,5% dos desempregados, em 2020, estavam em risco de pobreza.
– Mais de 20% dos menores de 18 anos apresentam risco de pobreza
– Entre 2019 e 2020, com a chegada da pandemia, foi entre as famílias monoparentais com pelo menos uma criança dependente e outros agregados com mais crianças dependentes que mais cresceu a taxa de risco de pobreza (entre 4,7% e 8,7%).

Continue a ler após a publicidade

Menos rendimentos, mais desempregados e mais beneficiários de RSI
– Dois em cada cinco agregados familiares com declaração de IRS, em 2020, vivia no máximo com 10 mil euros por ano. Isto significa que 40% das famílias vivem com 833 euros por mês.
– Em 2020, disparou 8,6% o número de famílias no escalão mínimo do IRS: Passaram a ser mais 58 mil do que em 2019. Este número não aumentava desde 2015.
– Aumentou 23% o número de desempregados na pandemia, entre os anos de 2019 e 2021
– Cresceu 1,3%, entre 202o e 2021, o número de beneficiários de Rendimento Social de Inserção (RSI)

Portugal sobe no ranking de países com mais pessoas a viver em piores condições
– Em 2020, Portugal foi o 2.º país da UE com mais pessoas a viver em alojamentos em más condições materiais: 25,2% da população vivia em casas sem condições.
– Em 2021, nosso País ocupa também o 5.º lugar na lista dos países da UE com maior percentagem da população sem possibilidades de aquecer convenientemente a habitação: 16,4%.
– 59,7% da população portuguesa pobre não conseguia, em 2021, assegurar o pagamento de despesas inesperadas.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.