Um colete salva-vidas usado por uma passageira sobrevivente do ‘Titanic’ foi vendido em leilão por 670 mil libras (cerca de 770 mil euros), num resultado que voltou a mostrar a força do fascínio em torno do navio mais célebre da história marítima. O ‘El Mundo’ relata que a peça pertencia a Laura Mabel Francatelli, passageira de primeira classe, e acabou arrematada muito acima da estimativa inicial, que apontava para 250 mil a 350 mil libras (cerca de 287 mil a 402 mil euros). A ‘Associated Press’ confirmou o valor final da venda e o facto de o comprador ter licitado por telefone.
O colete, assinado pela própria Francatelli e por outros sobreviventes do mesmo bote salva-vidas, foi a peça principal do leilão organizado pela Henry Aldridge & Son, em Devizes, no oeste de Inglaterra. No mesmo evento, uma almofada de assento de um dos botes salva-vidas do ‘Titanic’ foi vendida por 390 mil libras (cerca de 448 mil euros) aos proprietários de dois museus dedicados ao navio, localizados em Pigeon Forge, no Tennessee, e em Branson, no Missouri.
Os valores incluem a comissão da leiloeira, conhecida como prémio do comprador. Citado após o leilão, Andrew Aldridge disse que estes preços recorde refletem o interesse contínuo pela história do ‘Titanic’ e o respeito pelos passageiros e tripulantes cujas vidas ficaram ligadas a estes objetos.
Mais do que um simples artigo histórico, o colete vendido no passado sábado sábado transporta também uma história muito concreta de sobrevivência. Laura Mabel Francatelli viajava com a estilista Lucy Duff Gordon e com o marido desta, Cosmo Duff Gordon. Os três escaparam no bote salva-vidas número 1, que deixou o navio com apenas 12 pessoas a bordo, apesar de ter capacidade para 40 — um dos episódios mais controversos ligados ao naufrágio.
Mais adiante, o ‘El Mundo’ recorda que o ‘Titanic’, apresentado à época como um transatlântico praticamente inafundável, colidiu com um iceberg ao largo da Terra Nova durante a viagem inaugural entre Inglaterra e Nova Iorque. Afundou-se nas primeiras horas de 15 de abril de 1912, provocando a morte de cerca de 1.500 das 2.200 pessoas que seguiam a bordo, entre passageiros e tripulantes. A amplitude social dos viajantes, dos mais pobres aos mais ricos, ajuda a explicar por que razão o navio continua a exercer um magnetismo tão forte mais de um século depois.
Apesar do valor agora alcançado, este não foi o recorde absoluto para um objeto ligado ao ‘Titanic’. Esse máximo continua a pertencer a um relógio de bolso em ouro oferecido ao capitão do ‘RMS Carpathia’, o navio que resgatou cerca de 700 sobreviventes, vendido em 2024 por 1,56 milhões de libras (quase 2 milhões de euros). Ainda assim, o resultado agora alcançado pelo colete de Francatelli confirma que qualquer objeto com ligação direta a uma história de fuga, medo e sobrevivência continua a mobilizar colecionadores em todo o mundo.













