Coimas a banqueiros arrastam-se em tribunal e ficam por pagar. Ricardo Salgado é recordista

Dez antigos gestores bancários cumulam coimas de quase 17 milhões lançadas por supervisores como o Banco de Portugal ou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

Revista de Imprensa

Dez antigos gestores bancários cumulam coimas de quase 17 milhões lançadas por supervisores como o Banco de Portugal (BdP) ou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Nos últimos seis anos, o Banco de Portugal lançou coimas de mais de 49 milhões e a CMVM quase 17 milhões, mas estas arrastam-se em tribunal e, na maioria, acabam prescritas, revela uma análise do “Jornal de Notícias”.

Segundo o “JN”, a maior parte das sanções da CMVM e do BdP fica por pagar. Por vezes, os tribunais dão mesmo como provada a sua inocência. De 2008 a 2018, os encargos do Estado com os bancos ascenderam a mais de 18 mil milhões de euros.

Ricardo Salgado é o recordista das multas. O acumulado do BdP com a CMVM vai em 5,8 milhões, mas esta última está a preparar uma acusação cuja coima pode ascender aos cinco milhões, o que faria duplicar o seu atual valor a pagar, conta o jornal.

Já o antigo líder do BPN (banco nacionalizado no mandato de Fernando Teixeira, num proceso que já custou mais de cinco milhões de euros ao contribuintes) José Oliveira e Costa, condenado a 15 anos de prisão, foi multado quer pela CMVM como pelo BdP, num total de 1,425 milhões de euros. O antigo banqueiro viu parte da sua pensão de 2295 euros foi congelada, mas quase nada foi pago ao BdP, até à data, e menos ainda à CMVM.

O António Tomás Correia, ex-líder do Montepio (banco, até 2015, e mutualista, até 2019), por sua vez, foi multado pelo BdP em 1,25 milhões.

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