As queixas por clonagem de cartões multibanco estão a aumentar. Este ano, o número aumentou 42% em relação ao período homólogo, adiantou à “Antena 1” a Guarda Nacional Republicana (GNR).

Até meados de Novembro, a GNR registou 725 crimes relacionados com clonagem de cartões.

«É uma das fraudes mais recorrentes. É conhecida como a técnica de scheming [esquema em inglês], isto é, a leitura não autorizada dos dados que estão registados na banda magnética, através do uso de um terminal falso ou manipulado, e que, por diversas vezes, pode assumir a forma de um mecanismo de leitura portátil», explica Carlos Canatário, da GNR. 

Os dados bancários roubados, alerta o responsável, «servem para a realização de operações fraudulentas, como por exemplo, o levantamento de dinheiro sem a autorização do titular» do respectivo cartão.

Como saber se tem o cartão clonado?

A clonagem de cartões acontece quando toda a informação sobre um determinado cartão (o seu PIN – Personal Identification Number – e respetivo número) é copiada por via da sua banda magnética através de um mecanismo, conhecido por skimmer, que se insere nas ranhuras das caixas Multibanco ou até em terminais de pagamento automáticos.

Tenha atenção:

Outra forma de lhe roubarem o PIN do seu cartão pode ocorrer através da instalação de uma pequena câmara numa caixa Multibanco. Antes de realizar operações em ATM, veja se consegue avistar alguma destas câmaras que normalmente são de tamanho muito reduzido.

Ao copiarem estas informações do seu cartão, poderão usá-las para originar um cartão clonado e efetuar o pagamento de bens/serviços ou levantamentos de dinheiro em seu nome.

A contrafação de moeda (que equivale à fraude do cartão clonado) é um crime punível por lei através do artigo 262º, nº 1 do Código Penal.

Se a partir do seu extrato bancário notar que se encontram registados levantamentos de dinheiro ou pagamentos de compras/serviços que não foram efetivamente feitos por si, então algo não está certo: pode ter o cartão clonado. É importante que consulte o seu extrato de forma diária (se possível) para que consiga detetar movimentos anormais a tempo de evitar sofrer mais prejuízos.

O que fazer para resolver?

Se se aperceber de que foi vítima de cartão clonado, ligue para o seu banco a solicitar o cancelamento imediato do cartão (a maior parte das instituições financeiras possui uma linha de apoio ao cliente própria para lidar eficazmente com este tipo de situações – assegure-se de que tem este número sempre consigo).

Se porventura não conseguir falar com o banco, entre em contacto com a SIBS.

Note que, a partir do momento em que a situação é comunicada ao banco, este fica responsável por quaisquer delitos que possam vir a acontecer desde então.

Relativamente às operações não autorizadas que possam ter ocorrido antes de se notificar a instituição financeira, note-se que é o titular do cartão que suporta as perdas resultantes, dentro do limite do saldo disponível ou da linha de crédito associada ao cartão até um máximo de 150 euros.

Se não comunicar a perda, roubo ou apropriação abusiva do cartão à entidade financeira, terá de suportar todas as despesas geradas por operações não autorizadas.

Deverá também fazer uma denúncia à Polícia Judiciária, à PSP, à GNR ou mesmo ao Ministério Público – só desta forma se conseguirão descobrir os autores do crime.

Cuidados a ter

Naturalmente, existem alguns cuidados a ter para evitar que venha a ter o cartão clonado:

  • Quando fizer pagamentos em estabelecimentos comerciais, nunca perca de vista o seu cartão;
  • Ao digitar o código PIN, seja discreto e tente assegurar-se de que ninguém está a tentar visualizá-lo;
  • Em caso de utilização online, assegure-se de que o antivírus do seu computador e do seu smartphone está sempre atualizado e evite abrir emails falsos (esquemas de phishing);
  • Não informe ninguém acerca do seu PIN;
  • No caso dos cartões de crédito, nunca os deixe num sítio onde possam ser facilmente alcançáveis por outras pessoas (o ideal é que nem ande sempre com estes na carteira);
  • Evite escolher um código PIN cuja sequência numérica seja demasiado óbvia (por exemplo, “1234”);
  • Não forneça dados sobre os seus cartões pelo telefone, mesmo que a pessoa que os esteja a pedir se identifique como funcionária do seu banco;
  • Evite realizar operações em caixas Multibanco situadas em zonas pouco movimentadas;
  • Não realize compras online em computadores com acesso a redes de Wi-Fi públicas e prefira sites com “https://” no URL.

Ter um cartão, seja este de débito ou de crédito, é muito benéfico para o consumidor (hoje em dia, não é minimamente prático e seguro andar com grandes somas de dinheiro físico), mas, no entanto, há que tomar as devidas precauções relativamente a fraudes financeiras.