A reunião do Infarmed, esta quarta-feira, decorreu num tom harmonioso à porta aberta, reflexo dos bons sinais da evolução da pandemia da Covid-19. No entanto, quando a porta ‘se fechou’, a história foi diferente: momentos de tensão e vários puxões de orelhas do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, ao Governo, com particular destaque a Marta Temido. A irritação do líder parlamentar, de acordo com o ‘Observador’, é devida à falta de divulgação de dados importantes e a falta de soluções para quem estiver em isolamento no dia das eleições.
Segundo relatou o jornal online, Ferro Rodrigues tomou a palavra assim que a sessão de debate (fechada à imprensa) começou e, num tom duro, exigiu respostas ao Governo e à Direção-Geral da Saúde. Em primeiro lugar, por acreditar que os responsáveis estão a falhar num aspeto essencial: é importante comunicar com clareza e regularidade a relação entre vacinados e internados/óbitos para que a população possa ter uma maior noção dos benefícios das vacinas.
A Marta Temido, Ferro Rodrigues apontou que tem insistido que é preciso divulgar essa informação de forma clara junto da população e não escondeu a indignação por só ter visto esses números explicados na televisão por “comentadores” ao domingo — uma referência óbvia a Luís Marques Mendes, que, no domingo, explicou no seu espaço de comentário a relação entre internamentos, óbitos e pessoas que estavam ou não vacinadas, com dados concretos. Apesar de a ministra da Saúde e os representantes da Direção-Geral de Saúde terem garantido que as informações estão disponíveis, Ferro Rodrigues não ficou satisfeito com a resposta. Para o presidente da Assembleia da República, o problema não reside na não divulgação dos dados, mas antes na sua comunicação ineficaz.
Também António Costa foi visado na questão das eleições legislativas. Num diálogo ríspido de parte a parte entre o primeiro-ministro e Ferro Rodrigues, este último colocou a questão das pessoas infetadas ou isoladas no dia das eleições — quem estiver em isolamento até ao dia 23 de janeiro ainda consegue votar a partir de casa, mas depois disso já não há solução prevista na lei –, exigindo uma solução ao Governo. António Costa terá recebido com desagrado a questão de Ferro, lembrando que a lei orgânica está em vigor e que o Parlamento está, neste momento, dissolvido, o que dificulta uma nova alteração para acomodar estes casos.
Mas Ferro reagiu a Costa, ainda dentro da reunião, pedindo que o Governo se concentre agora em soluções viáveis. Como Marcelo viria depois dizer, também à saída do encontro, há outras duas vias que estão a ser estudadas: a revisão das regras do isolamento profilático, que está a ser ponderada pela DGS (ainda esta semana o isolamento de casos assintomáticos foi reduzido de dez para sete dias e o grupo de aconselhamento do Governo já defendeu que se passe para cinco); e o parecer que o Ministério da Administração Interna já pediu à Procuradoria-Geral da República, para perceber se o isolamento, em caso de não infeção, pode constituir um impedimento ao direito de voto. Se não for essa a conclusão, poderia arranjar-se uma solução para os isolados poderem fazer uma exceção e irem votar.













