Clima: 2020 está entre os três anos mais quentes desde a época pré-industrial

Quase cinco anos após a assinatura do acordo climático de Paris, as concentrações na atmosfera dos principais gases com efeito de estufa estão a impulsionar cada vez mais o aumento das temperaturas. 2016, 2019 e 2020 foram os três anos mais quentes desde a época pré-industrial, informou esta quarta-feira a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

A OMM, agência da Organização das Nações Unidas (ONU), apresentou o relatório sobre o Estado do Clima no Mundo em 2020 – um ano que, segundo os especialistas, vai estar entre os três mais quentes do planeta desde que começaram os registos, em 1850. Assim, este ano vai confirmar a tendência do aumento da temperatura e do aquecimento global. A diferença entre os três anos é pequena, mas só no final de 2020 é que vamos conhecer a sua ‘classificação’.

Os cientistas ressalvam, no entanto, que não se trata de um recorde anual, mas sim de uma tendência de aquecimento. De facto, a década 2010-2020 é a mais quente registada até agora. Entre janeiro e outubro deste ano, de acordo com cálculos da OMM, a temperatura média do planeta foi de 1,2ºC acima do nível pré-industrial (1850-1900).

O Acordo de Paris pretende que o aumento da temperatura devido às alterações climáticas permaneça abaixo dos 2°C no final do século e, no melhor cenário possível, fique abaixo dos 1,5°C. Para atingir este objetivo, a ONU recorda que é necessário atingir a neutralidade de carbono até 2050, altura em que a quantidade de dióxido de carbono emitida pelas atividades humanas deverá ser igual à absorvida pelos sumidouros, por exemplo, as florestas.

O relatório anual da OMM – baseado em dados e análises de várias dezenas de organismos científicos internacionais – centra-se na relação entre o aumento das temperaturas e, por exemplo, os incêndios devastadores que ocorreram em muitas partes do planeta este ano, que, por sua vez, geram mais emissões de gases com efeito de estufa.

Um dos exemplos mais grave é o calor registado no Ártico siberiano este ano, onde as temperaturas têm estado 5ºC acima da média. No dia 20 de junho, atingiram-se os 38ºC em Verkhoyansk, que é “a temperatura mais alta conhecida em qualquer lugar a norte do Círculo Ártico”, diz a OMM.

O relatório mostra ainda como eventos de alto impacto, como o calor extremo, incêndios florestais e inundações, bem como uma temporada recorde de furacões no Atlântico, afetaram milhões de pessoas, agravando as ameaças da pandemia. De acordo com o documento, apesar do confinamento, as concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa continuaram a aumentar.

Ler Mais

Comentários
Loading...