Clearview AI ‘tira’ 30 mil milhões de imagens do Facebook e disponibiliza à polícia: cidadãos americanos estão numa “linha policial perpétua”, acusam críticos

Controverso banco de dados de reconhecimento facial, usado por departamentos de polícia dos Estados Unidos, foi construído em parte com 30 mil milhões de fotos que a Clearview AI extraiu do Facebook e outras redes sociais sem a sua permissão

Francisco Laranjeira
Abril 3, 2023
15:39

O controverso banco de dados de reconhecimento facial, usado por departamentos de polícia dos Estados Unidos, foi construído em parte com 30 mil milhões de fotos que a Clearview AI extraiu do Facebook e outras redes sociais sem a sua permissão, segundo admitiu o CEO da empresa: os críticos acusam a empresa de colocar os cidadãos “numa linha policial perpétua”.

Segundo Hoan Ton-That, CEO da empresa, em declarações à ‘BBC’, a Clearview tirou fotos sem o conhecimento dos utilizadores, o que permitiu a rápida expansão do enorme banco de dados da empresa, que é comercializado no seu site para a aplicação da lei como uma ferramenta “para trazer justiça às vítimas”.

Desde a fundação da empresa, em 2017, a polícia americana entrou quase uma milhões de vezes na base de dados de reconhecimento facial da Clearview AI, revelou Ton-That.

A tecnologia tem, desde há muito tempo, atraído diversas críticas não só de defensores da privacidade como de plataformas digitais. “As ações da Clearview AI invadem a privacidade das pessoas e é por isso que banimos o seu fundador dos nossos serviços e enviámos-lhes uma exigência legal para pararem de aceder a quaisquer dados, fotos ou vídeos nos nossos serviços”, referiu a empresa, em abril de 2020.

Desde então, segundo revelou o ‘Insider’, a Meta “fez investimentos significativos em tecnologia” e dedicou “recursos substanciais da equipa para combater a extração não autorizada de produtos do Facebook”. Mas, apesar das políticas internas, uma vez que a foto chega à Clearview AI, são feitas impressões biométricas do rosto e referenciadas no banco de dados, vinculando os indivíduos aos seus perfis de rede social para sempre.

“A Clearview é uma afronta total aos direitos das pessoas, ponto final, e a polícia não deveria poder usar essa ferramenta”, garantiu Caitlin Seeley George, diretora de campanhas e operações do ‘Fight for the Future’, um grupo sem fins lucrativos de defesa dos direitos digitais. “Sem leis que os impeçam, a polícia costuma usar o Clearview sem o conhecimento ou consentimento do seu departamento”.

Segundo a ‘CNN’, a Clearview AI afirmou, em 2022, que entre os clientes da empresa estão “mais de 3.100 agências dos Estados Unidos, incluindo o FBI e o Departamento de Segurança Interna”.

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