Os EUA confirmaram que estão a utilizar ferramentas de inteligência artificial (IA) nas operações militares contra o Irão, num conflito que poderá marcar uma nova fase na utilização de tecnologia avançada no campo de batalha. A revelação foi feita por responsáveis militares americanos e relatada pelo jornal espanhol ’20 Minutos’, que descreve a crescente integração de sistemas de IA nas decisões operacionais.
De acordo com o chefe do Comando Central dos Estados Unidos, Brad Cooper, estas ferramentas permitem processar enormes volumes de informação em poucos segundos, ajudando os militares a identificar padrões, filtrar dados irrelevantes e apoiar decisões estratégicas. Segundo o responsável, a tecnologia torna possível transformar processos que anteriormente demoravam horas ou dias em análises quase instantâneas.
Apesar desta evolução tecnológica, Cooper sublinhou que as decisões finais continuam a ser tomadas por humanos. O objetivo das ferramentas de inteligência artificial é acelerar a análise da informação e melhorar a capacidade de resposta no campo de batalha, mas a escolha de alvos e o momento de executar ataques permanecem sob controlo humano, refere o ’20 Minutos’.
Entre os sistemas utilizados encontra-se o modelo de inteligência artificial Claude, desenvolvido pela empresa americana Anthropic. A utilização desta tecnologia tem gerado controvérsia, uma vez que a empresa tentou impor limitações ao uso do sistema para impedir aplicações como vigilância massiva de cidadãos ou o desenvolvimento de armas totalmente autónomas.
O Pentágono defende, no entanto, que precisa de acesso amplo à tecnologia para fins legais e argumenta que já existem regras internas que proíbem práticas como a vigilância massiva ou a utilização de armamento completamente autónomo. A disputa levou mesmo a tensões entre a empresa e o Governo americano.
A confirmação do uso de inteligência artificial surge num momento em que aumentam as críticas à campanha militar contra o Irão. Segundo informações citadas pelo ’20 Minutos’, a ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel já terá provocado mais de 1.300 mortos desde o início dos ataques, a 28 de fevereiro, além de milhares de edifícios civis danificados.
O uso de IA em operações militares não é totalmente novo. O Pentágono utiliza desde 2017 o Projeto Maven, um sistema baseado em aprendizagem automática que permite analisar grandes quantidades de dados provenientes de satélites, sensores e outras fontes de informação para identificar potenciais alvos.
Esse sistema já foi utilizado em vários contextos militares, incluindo a evacuação do Afeganistão em 2021 e o apoio à Ucrânia após a invasão russa em 2022, quando ajudou a identificar posições militares através de dados de satélite.
A crescente integração da inteligência artificial nas operações militares está a gerar preocupação entre especialistas e organizações de direitos humanos. Muitos defendem que o desenvolvimento tecnológico está a avançar mais rapidamente do que a capacidade de criar regras internacionais claras para regular o uso destas ferramentas em conflitos armados.
Nos Estados Unidos, vários legisladores pedem agora maior supervisão e transparência sobre a forma como a inteligência artificial está a ser utilizada na guerra, sublinhando que o julgamento humano deve continuar a desempenhar um papel central em decisões de vida ou morte.














