Termina esta terça-feira o prazo para a classificação dos exames finais nacionais do ensino secundário da 1.ª fase, depois de o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) ter decidido prolongar o calendário inicialmente previsto devido aos constrangimentos registados no novo sistema de classificação eletrónica. Apesar dos problemas detetados durante o processo, o Governo garante que o calendário revisto será cumprido, mantendo a divulgação das classificações para sexta-feira, 17 de julho.
O prazo para conclusão das classificações estava inicialmente previsto para 10 de julho, mas foi adiado quatro dias, na sequência das dificuldades informáticas associadas ao processo de digitalização e classificação eletrónica das cerca de 300 mil provas realizadas pelos alunos dos 11.º e 12.º anos. Segundo o MECI, o objetivo do prolongamento foi assegurar “a qualidade e o rigor do processo” e garantir aos professores o tempo necessário para concluir a avaliação.
Ministro garante que 92% das provas já estavam classificadas
Na segunda-feira, véspera do fim do prazo, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, revelou que 92% dos exames nacionais já tinham sido classificados.
“Neste momento, 92% dos exames estão corrigidos e a cadência está a ser muito elevada”, afirmou o governante, à entrada para uma reunião do Conselho das Escolas, em Lisboa.
Fernando Alexandre destacou igualmente o esforço desenvolvido durante o fim de semana.
“Ontem [domingo] e no sábado os professores trabalharam de forma muito intensa”, afirmou, acrescentando que existem “muitas pessoas a trabalhar para garantir o rigor da avaliação”.
O ministro garantiu ainda que o prazo agora fixado para esta terça-feira será cumprido “com rigor” e reiterou que os alunos terão acesso às classificações na sexta-feira, conforme previsto no calendário revisto.
Professores voltaram a corrigir provas devido às verificações
Durante o fim de semana multiplicaram-se os relatos de professores classificadores que receberam novos itens para corrigir, voltaram a avaliar respostas já classificadas ou foram convocados de forma extraordinária para integrar o processo.
Fernando Alexandre reconheceu que alguns docentes tiveram efetivamente de repetir o trabalho.
“Alguns professores tiveram de corrigir duas e três vezes a mesma prova”, explicou, justificando que essa repetição ocorreu porque “foi identificado um erro”.
O ministro aproveitou para pedir desculpa aos docentes.
“Peço desculpa aos professores. É lamentável, mas é a confirmação de que temos mecanismos de controlo de qualidade e de rigor e é isso que estamos a fazer e vamos fazer tudo até ao fim”, declarou.
MECI explica origem dos problemas e reforça processo de validação
Num comunicado divulgado na segunda-feira, 13 de julho, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação explicou que está em curso, desde a semana passada, um “processo normal de verificação de qualidade e validação do sistema de classificação eletrónica” das Provas Finais do Ensino Básico de Matemática e dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário.
Segundo o comunicado, o objetivo consiste em garantir que todos os itens disponibilizados aos professores classificadores “estão completos e correspondem às respostas dadas pelos alunos nos exames em papel”.
O ministério explica que, durante este processo, foram identificadas diversas situações que exigiram verificações adicionais, entre elas:
- folhas de resposta mal digitalizadas devido à existência de dobras;
- folhas de enunciado ou de continuação de respostas que não foram digitalizadas;
- provas que não tinham sido inicialmente entregues às forças de segurança responsáveis pelo transporte para a Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM), tendo sido remetidas posteriormente.
Estas situações obrigaram, segundo o MECI, a um “rigoroso processo de verificação das provas e dos exames guardados na INCM” e, sempre que necessário, ao contacto com as escolas.
O ministério admite que este controlo levou alguns classificadores a repetir correções já concluídas, mas considera que tal “demonstra a importância do processo de validação em curso, para garantir a correção de todas as falhas identificadas e, assim, o rigor da avaliação externa”, refere o comunicado do MECI.
Novo controlo garante correspondência entre provas em papel e ficheiros digitais
Além das verificações já em curso, o Ministério revelou que iniciou na segunda-feira um novo processo destinado a consolidar todo o sistema.
De acordo com o comunicado, foi desencadeado “um processo de controlo de qualidade para consolidação do processo e validação de que cada exame realizado em papel tem correspondência exata ao seu ficheiro digitalizado”, sendo esse ficheiro PDF posteriormente disponibilizado aos alunos.
O MECI esclarece igualmente que todas as provas armazenadas na Imprensa Nacional-Casa da Moeda permanecem totalmente anonimizadas, pelo que “não pode ser quebrado o anonimato”, situação que apenas pode ocorrer nas escolas.
O ministério acrescenta ainda que “no mesmo local não decorre qualquer processo de classificação”, motivo pelo qual considera que “a credibilidade do processo não poderia ser afetada por estas atividades de verificação”.
Governo acompanha diariamente os trabalhos
Face à dimensão da operação, o MECI refere que foi necessária a mobilização de um elevado número de recursos humanos, incluindo durante o fim de semana.
O comunicado acrescenta que, dada a importância do processo para alunos e famílias, o ministro Fernando Alexandre, o secretário de Estado Adjunto e da Educação e elementos dos respetivos gabinetes têm acompanhado permanentemente os trabalhos desenvolvidos na INCM, onde decorrem pontos de situação frequentes.
No final da nota oficial, o ministério assegura “todo o rigor e transparência do processo de classificação das Provas Finais e dos Exames Finais Nacionais” e agradece “o empenho, dedicação, disponibilidade e sentido de responsabilidade de todos os professores e técnicos envolvidos neste processo”.
Professores alertam para pressão e pedem mais tempo
Apesar das garantias do Governo, algumas estruturas representativas dos docentes continuam a manifestar preocupação.
A Missão Escola Pública (MEP) afirmou que vários professores continuavam, na segunda-feira, a receber novos itens para classificação e denunciou dificuldades provocadas por folhas em falta, respostas repetidas e problemas na plataforma eletrónica.
A porta-voz da MEP, Cristina Mota, defendeu que, caso persistissem problemas no final do prazo, deveria ser equacionado um novo adiamento, considerando que “as questões políticas não se podem sobrepor ao rigor das avaliações externas”.
Também o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, reconheceu que está em curso um esforço intenso para cumprir o calendário definido pelo ministério, embora tenha defendido maior valorização do trabalho desenvolvido pelos cerca de 11 mil professores classificadores.
Ainda assim, Filinto Lima manifestou confiança no trabalho realizado pelos docentes, afirmando que “os resultados que forem divulgados irão refletir um trabalho de excelência”, apesar dos constrangimentos registados ao longo do processo.
Com o prazo de classificação a terminar esta terça-feira, todas as atenções centram-se agora na conclusão das correções e na divulgação das classificações, que o Ministério da Educação mantém prevista para sexta-feira, 17 de julho.














