Optimismo é palavra de ordem nos corredores do Cirque du Soleil, mas os responsáveis por detrás deste gigante do entretenimento não escondem que nada será o mesmo depois da pandemia. Inserindo-se no sector dos eventos, a companhia circense canadiana está entre os afectados pelas restrições impostas na sequência do novo coronavírus, que obrigou ao cancelamento de espectáculos e a cortes abruptos nas receitas.
Diana Quinn, Chief Creatie Officer (CCO) do Cirque du Soleil, conta à Fast Company que os problemas começaram logo com o fim do espectáculo “The Land of Fantasy”. Tratava-se da primeira e única aposta permanente da companhia na China e viu-se obrigada a encerrar portas logo em Janeiro, quando ainda não se falava de surto a nível mundial.
Ainda assim, apesar do rombo nas contas, o cancelamento deste espectáculo não mataria o Cirque du Soleil, que contava com outros 43 eventos a decorrer em várias partes do planeta. Quando o COVID-19 chegou a Itália, a situação tornou-se mais grave: um espectáculo pronto a estrear teve de dizer adeus a Roma ainda mesmo antes de se apresentar ao público pela primeira vez. A Fast Company fala em efeito dominó a partir daí, à medida que aumentaram as restrições em termos de viagens e circulação.
«Com a propagação do vírus pela Europa e, em última instância, pela América do Norte, percebemos que íamos ter um problema em mãos, conta a CCO. Quando Las Vegas, que representa cerca de 35% da receita do Cirque du Soleil, também foi impactada pelo vírus, a companhia entrou definitivamente num buraco negro.
Com a suspensão total da actividade, 95% dos colaboradores do Cirque du Suleil foram dispensados – precisamente 4.679 pessoas. O que sobrará, então, deste gigante quando for possível regressar às ruas e aos espectáculos?
Noutros anos, o Cirque du Soleil passaria por centenas de cidades de vários países, alimentaria acordos com empresas de transportes e logística, cadeias hoteleiras e restaurantes e somaria receitas na ordem dos 950 milhões de dólares. Agora, vê a quase totalidade dos seus parceiros fechados, o público impossibilitado de participar em grandes eventos e as receitas estimadas nos zero dólares.
Daniel Lamarre, CEO do Cirque du Soleil, insiste, contudo, em ter uma perspectiva mais positiva. Em declarações à Fast Company, diz que a companhia irá sobreviver à pandemia, ainda que não saiba quando ou como é que isso acontecerá. Admite também que essa é a parte mais difícil: «A incerteza sobre quando irá acabar é difícil. (…) Ninguém tem uma bola de cristal, certo?»
O CEO não nega também que a falência é uma possibilidade, tal como apontam alguns analistas, mas garante que as previsões de consultoras como Moody’s ou S&P Global Ratings são exageradas. A companhia conta com investidores como TPG Capital e a Caisse de dépôt et placement du Québeccomo investidor, que deverão ajudar a assegurar que o Cirque du Soleil continue.
Em cima da mesa estão também negociações com o governo canadiano no sentido de desenhar um plano de resgate. David Lamarre sublinha que o Cirque du Soleil é um embaixador do Canadá e que seria muito útil obter apoio por parte do governo.
«Uma coisa é certa: se me ligarem por esta altura no próximo ano, o Cirque du Soleil estará aberto», afirma o CEO, mostrando-se confiante do futuro da companhia.





