CIP: 30% das empresas em ‘lay-off’ admitem atrasos no pagamento de apoios. Estado já transferiu 260 milhões de euros

A maioria das empresas (84%) que recorreram ao mecanismo de lay-off cumpriram o pagamento de salários, revelou o presidente da CIP, António Saraiva, em conferência de imprensa,  com base num inquérito feito a uma amostra de 150 mil empresas portuguesas, divulgado nesta segunda-feira.

Ana Rita Rebelo

A maioria das empresas (84%) que recorreram ao mecanismo de lay-off cumpriram o pagamento de salários, revelou o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, em conferência de imprensa,  com base num inquérito feito a uma amostra de 150 mil empresas portuguesas, divulgado nesta segunda-feira.

O barómetro da CIP mostra que as empresas parcialmente encerradas aumentaram 3,4 pontos percentuais face à semana de 27 de Abril, de 33,8% para 37,1%. Mantém-se em «pleno funcionamento» quase metade (48,2%), enquanto 14,7% estão de portas fechadas.

O mesmo inquérito dá conta de que, actualmente, 84% das empresas considera que «os programas de apoio estão aquém (ou muito aquém) do que necessitam». Ainda assim, superam as expectativas para 0,5% dos inquiridos.

Já o número de empresas que pediu financiamento bancário aumentou face à semana passada, para 39,4%, enquanto 17,4% não pediu, mas pensa vir a pedir, 24,3% das quais ainda durante a primeira quinzena de Maio. Por outro lado, 43,1% não pensa vir a pedir: 62% consideram não precisar e 16% não têm condições de elegibilidade.

Relativamente aos pedidos de lay-off simplificado, 48% das empresas já solicitaram o mecanismo, mas 44% não pediu nem pensa vir a pedir. Das empresas que solicitaram o apoio, metade submeteu os formulários entre 1 e 10 de Abril.

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Das empresas que solicitaram o lay-off, 24,9% tem a totalidade dos trabalhadores neste regime. Em 30,6% das empresas este pedido afectou apenas até 20% dos colaboradores. A esmagadora maioria (93%) já solicitou este mecanismo por 30
dias e 1/3 das empresas já renovou o pedido (32,6%).

Os dados da CIP mostram, ainda, que das empresas que pediram lay-off simplificado, 30% ainda não haviam recebido esse apoio a 4 de Maio. Ainda assim, apenas 4% admite não ter pago os salários aos trabalhadores.

Das contas da CIP, estima-se que 107 mil empresas estejam em regime de lay-off, abrangendo um universo de 623 mil trabalhadores. Para já, foram feitos 85 mil pagamentos na ordem dos 260 milhões de euros, adiantou António Saraiva.

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A opinião sobre a medida tende a favorável, sendo que 75% considera-a razoável e até mesmo adequada. Já sobre a capacidade de implementação do lay-off, as empresas mostram-se mais críticas: 1/3 considera-a pouco ou nada adequada

Este inquérito integra o Projeto Sinais Vitais, desenvolvido em conjunto pela CIP, através das associação que a integram, e pelo Marketing FutureCast Lab do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, que tem como objectivo recolher informação actualizada sobre a posição dos responsáveis pelas empresas portuguesas e sobre o impacto que diferentes situações têm nestas, no quadro da situação de excepção que o País atravessa.

Foram inquiridas 150 mil empresas e obtida uma amostra de 1.451, num questionário realizado entre 5 e 7 de Maio. A amostra é constituída em 40% por micro empresas e 38% pequenas empresas, sendo 4,9% grandes empresas. Este barómetro revela maior peso do sector da indústria e energia, com 42%. Os “outros serviços” constituem 26% dos respondentes e o comércio é responsável por 18% dos inquiridos.

Portugal contabiliza já 1.144 mortes associadas ao novo coronavírus (mais nove do que no domingo) e 27.679 infectados, (+98), segundo o boletim epidemiológico da Direção Geral da Saúde.

O país está desde 3 de Maio em situação de calamidade, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência, que começou a 19 de Março. Esta nova fase de combate à Covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância activa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

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Globalmente, a pandemia do novo coronavírus já provocou mais de 280 mil óbitos e infectou mais de quatro milhões em 195 países e territórios, revela um balanço da agência de notícias “France-Press”, a partir de dados oficiais.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China. Mais de 1,3 milhões de doentes foram considerados curados.

*Notícia actualizada às 16:44

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