Cinco ‘primeiros-ministros’ regionais e 32 ‘vice’: estrutura das CCDR nomeada por Montenegro custa 17 milhões de euros

Valor resulta da soma dos vencimentos dos cinco presidentes e dos 32 vice-presidentes recentemente nomeados pelo Governo liderado por Luís Montenegro

Revista de Imprensa
Março 3, 2026
8:53

Os 37 gestores públicos das cinco comissões de coordenação e desenvolvimento regional (CCDR) vão custar quase 17 milhões de euros em salários e despesas de representação ao longo de um mandato de quatro anos, avançou esta terça-feira o ‘Correio da Manhã’. O valor resulta da soma dos vencimentos dos cinco presidentes e dos 32 vice-presidentes recentemente nomeados pelo Governo liderado por Luís Montenegro.

A principal alteração introduzida na nova orgânica das CCDR prende-se com o aumento do número de vice-presidentes. As estruturas, entretanto convertidas em institutos públicos, passaram de um máximo de quatro vice-presidentes para um máximo de sete. Como consequência, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo contam agora com sete vice-presidentes e um presidente cada. Já as CCDR de Lisboa e Vale do Tejo, do Centro e do Norte têm seis vice-presidentes cada, perfazendo um total de 32 vice-presidentes nas cinco entidades.



Em termos remuneratórios, o presidente de uma CCDR aufere um salário equiparado ao do primeiro-ministro, cerca de 8.978 euros brutos por mês, incluindo despesas de representação. Isto traduz-se num rendimento anual bruto de 125.692 euros. Multiplicado pelos cinco presidentes, o encargo atinge 628.460 euros por ano e ultrapassa os 2,5 milhões de euros ao longo dos quatro anos de mandato.

Já cada vice-presidente recebe 8.080 euros brutos mensais, valor correspondente a 90% do vencimento do presidente. Em termos anuais, o montante ascende a 113.120 euros. No conjunto dos 32 vice-presidentes, a despesa ronda os 3,62 milhões de euros por ano e atinge cerca de 14,5 milhões de euros no total do mandato.

A alteração da lei orgânica das CCDR foi concretizada no final de 2025, através do decreto-lei 131/2025, de 24 de dezembro. Além do presidente e de dois vice-presidentes eleitos, cada comissão passou a integrar cinco vice-presidentes nomeados pelo Executivo, reforçando assim o peso das nomeações governamentais na estrutura dirigente.

Entre os 32 vice-presidentes escolhidos pelo Governo encontram-se nomes ligados ao PSD e ao PS, como Jorge Mendes, ex-chefe de gabinete da ministra da Saúde, Sofia Carreira, deputada do PSD, Jorge Botelho, deputado do PS, e Pedro Machado, ex-autarca socialista.

Com esta reconfiguração, as CCDR passam a ter uma estrutura dirigente mais alargada, refletindo-se diretamente na despesa pública prevista para os próximos quatro anos.

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