CIMPOR: 130 anos a cimentar o futuro

Há mais de um século que a história da CIMPOR é feita de inovações, desafios superados e infraestruturas que marcam o país. Hoje, continua a construir o caminho para um futuro mais sustentável e competitivo.

Executive Digest
Janeiro 6, 2025
12:41

Há 130 anos, em Alhandra, surgia uma fábrica que não só mudaria a paisagem da indústria portuguesa, como também ajudaria a moldar o futuro do país. A Fábrica Tejo foi a primeira unidade de cimento construída de raiz em Portugal e tornou-se o ponto de partida para uma jornada que transformaria a CIMPOR numa das maiores referências globais do sector. Para Cevat Mert, CEO da empresa em Portugal e Cabo Verde, a história da CIMPOR é um testemunho de evolução e adaptação. «O centro de produção de Alhandra simboliza a capacidade de crescimento e resiliência desta empresa que, ao longo dos seus 130 anos, superou-se e evoluiu constantemente», sublinha.

Mais do que uma empresa de cimento, a CIMPOR foi o alicerce de inúmeras infraestruturas essenciais para o progresso de Portugal, desde as primeiras construções do início do século XX até aos projectos mais ambiciosos da actualidade. Desde a Ponte Vasco da Gama até à barragem do Alqueva, passando por hospitais, pelo Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (MAAT) e pelas expansões do Metro de Lisboa e Porto, a empresa centenária tem sido uma peça fundamental na edificação de um país mais contemporâneo e competitivo. «Fazemos parte da história e da paisagem portuguesa e testemunhámos a construção de um país mais moderno e desenvolvido », salienta o responsável.

Este ano, a fábrica de Souselas celebra 50 anos e representa outra etapa importante na expansão da CIMPOR. Para o executivo, este meio século é um reflexo do compromisso da empresa com o desenvolvimento económico local e com a inovação no processo produtivo. «O Centro de Produção de Souselas simboliza a modernização e diversificação da produção», explica. Esta unidade vai ser ainda responsável pela construção de uma nova linha de produção de argilas calcinadas, alinhada com a missão de reduzir as emissões de CO2 e produzir cimento low carbon. O investimento também se estende à fábrica de Loulé, que completou 50 anos em 2023, onde a inovação tecnológica, especialmente na engenharia ambiental, tem sido uma constante.

A empresa de produção de cimento mantém um espírito criativo e inovador, essencial para a sua sustentabilidade a longo prazo. Cevat Mert explica que a CIMPOR tem apostado na evolução constante e na internacionalização para responder às exigências do mercado. «A aposta na inovação para garantir a melhor qualidade das soluções propostas e o investimento contínuo no aperfeiçoamento das actividades e dos profissionais, alicerçada à confiança e excelência operacional, definem a empresa desde a sua fundação», sustenta o CEO da empresa. Nesse sentido, a organização continua a investir em soluções sustentáveis e ecológicas, com o objectivo de reduzir o impacto ambiental e proporcionar soluções de construção mais eficientes.

INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE

A CIMPOR reafirma o seu compromisso com a sustentabilidade, a inovação tecnológica e o impacto positivo na economia nacional e local. Para Cevat Mert , estes princípios são pilares fundamentais na estratégia da empresa. «Mantemos a missão de consolidar o crescimento de uma sociedade sustentável em conjunto com todos os parceiros. Diferenciamo-nos pelo nível de parcerias e serviços, pelo cumprimento de requisitos legais voluntariamente assumidos e pela criação de novos padrões de saúde e segurança», explica.

Com mais de um século de história, a empresa aposta na transmissão dos seus valores às novas gerações de colaboradores e na preservação do seu património histórico. «A fábrica de Alhandra, inaugurada em 1894, é um símbolo da génese da empresa e um exemplo da nossa evolução. A preservação deste e de outros arquivos históricos mantêm viva a nossa memória e reforçam o nosso compromisso com a qualidade e a inovação», afirma o CEO.

A história da CIMPOR é marcada por momentos decisivos. Entre os mais relevantes, estão a instalação do primeiro forno rotativo em Alhandra, em 1931, a inauguração do maior forno do mundo em 1960 e a nacionalização das cimenteiras, que culminou com a criação da CIMPOR – Cimentos de Portugal, E.P., em 1976. Mais recentemente, a aquisição por parte da Taiwan Cement Corporation (TCC), uma das maiores empresas globais do sector, tornou a CIMPOR «um dos três maiores players globais no mercado de cimento», reforçando a sua capacidade de investimento e inovação.

Além disso, a aposta contínua na inovação e na sustentabilidade também permite que a CIMPOR «continue a escrever a sua história e a reforçar o seu legado, adaptando-se às novas exigências do mercado e da sociedade». Para Cevat Mert , o diálogo e a interação com as comunidades locais, através de programas de responsabilidade social e parcerias estratégicas, contribuem para a construção de um futuro partilhado. Na perspectiva do executivo, esta abordagem é essencial para garantir que a empresa continua a contribuir para o desenvolvimento económico e social de forma sustentável.

FUTURO E PRINCIPAIS DESAFIOS

A transição energética coloca desafios significativos à CIMPOR, devido à natureza intensiva dos recursos do sector do cimento. A adaptação às novas exigências ambientais exige a implementação de tecnologias avançadas, a construção de infraestruturas para energias renováveis e a substituição de combustíveis fósseis por alternativas mais sustentáveis. De acordo com o responsável, estes esforços envolvem custos elevados e dependem de factores como a disponibilidade tecnológica e terrenos adequados.

Para superar estas dificuldades, a empresa aposta numa colaboração contínua com stakeholders, incluindo comunidades locais e instâncias governamentais. «Estamos comprometidos em garantir uma gestão responsável dos recursos e em implementar processos menos agressivos para o ambiente, assegurando que a transição para uma economia verde seja eficaz e inclusiva, sem comprometer a qualidade dos produtos nem as necessidades do mercado», esclarece o CEO da CIMPOR em Portugal e Cabo Verde.

A integração na multinacional também trouxe à empresa novas oportunidades de diferenciação no mercado. A longa experiência e reputação da empresa são agora complementadas «pelo acesso a recursos, tecnologias e know-how de última geração, capazes de fazer a diferença no mercado». Este posicionamento permite à CIMPOR oferecer soluções de valor acrescentado, tanto em Portugal como no mercado internacional, sustenta o responsável.

Em 2024, a empresa deu início a um plano ambicioso de descarbonização, suportado por um investimento de 360 milhões de euros até 2026. As obras já estão em curso e incluem a modernização de fornos e moinhos, a instalação de recuperadores de calor para produção de energia elétrica e a conclusão de parques fotovoltaicos, que irão reduzir a dependência energética externa e as emissões indiretas de CO2.

«Estas iniciativas representam passos concretos rumo à ambição da CIMPOR em alcançar a neutralidade carbónica até 2050, com metas intermédias já definidas para 2030», afirma o executivo. O plano pretende modernizar as infraestruturas produtivas, reduzir o consumo de combustíveis fósseis e aumentar a eficiência e capacidade de produção, enquanto aposta em soluções sustentáveis para o futuro da construção. Em conclusão, Cevat Mert defende que a conjugação da inovação tecnológica, a gestão responsável de recursos e cooperação com stakeholders será determinante para assegurar a relevância da CIMPOR no sector e contribuir para a transição para uma economia verde.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Empresas com História”, publicado na edição de Dezembro (n.º 225) da Executive Digest.

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