A Rússia e Estados Unidos iniciaram negociações na passada segunda-feira para reduzir a tensão em torno do conflito na Ucrânia, em Genebra, com um misto de desconfiança e baixas expectativas. Em cima da mesa das negociações estão as garantias de segurança propostas por Moscovo, incluindo um acordo juridicamente vinculante de que a NATO não se vai expandir mais para o leste europeu.
Sergei Riabkov afirmou que não houve qualquer progresso nas negociações entre o Kremlin e Washington. O vice-chanceler russo insistiu que é absolutamente imperativo para a Rússia garantir que a Ucrânia nunca se torne membro da NATO. “Manter a Ucrânia fora da aliança atlântica é uma questão de segurança nacional”, explicou o diplomata russo, garantindo que o seu país não está a preparar um nova invasão.
Do outro lado, o vice-conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jonathan Finer, reiterou a posição de Washington de que a Rússia não tem o direito de determinar as relações Ucrânia-NATO. Riabkov ameaçou: a resposta de Moscovo a qualquer fracasso nas negociações de segurança com os Estados Unidos será de natureza técnico-militar. A Rússia não está disposta a esperar semanas ou meses e deixou no ar um aviso que vai para além de Kiev: “A NATO e os EUA podem cometer erros que prejudicariam a sua própria segurança e a do resto da Europa.”
Ambas as partes conversaram durante sete horas e meia, aparentemente sem intervalo para refeição. Os EUA estão preparados para aumentar a assistência de segurança à Ucrânia diante de uma possível incursão russa no país, alertou a subsecretária de Estado dos EUA, Wendy Sherman.
“Putin ameaçou a guerra para obter concessões. Esta é uma crise de reféns, não uma negociação igualitária normal”, lamentou Michael McFaul, que foi embaixador dos EUA em Moscovo durante o mandato de Obama. “Fala-se da expansão da NATO sem mencionar também a anexação da Crimeia ou o que aconteceu na Abkhazia [durante a guerra na Geórgia em 2008], mas uma negociação sobre a segurança europeia deve ter sobre a mesa todas as ameaças à Europa, não apenas a de Putin.”












