Cientistas identificam microplásticos no sangue humano pela 1.ª vez

Os cientistas analisaram amostras de sangue de 22 doadores anónimos, todos adultos saudáveis ​​e encontraram partículas de plástico em 17, quase 80%.

Simone Silva
Março 24, 2022
11:41

Partículas microplásticas foram detetadas no sangue humano pela primeira vez, com os cientistas a encontrar estes materiais em quase 80% das pessoas testadas, de acordo com o ‘The Guardian’.

A descoberta mostra que as partículas podem viajar pelo corpo e alojar-se em órgãos. O impacto na saúde ainda é desconhecido, mas os investigadores estão preocupados porque os microplásticos já mostraram causar danos às células humanas em laboratório.



A par disso, as partículas de poluição do ar já são conhecidas por entrar no organismo humano e causar milhões de mortes precoces por ano, o que aumenta a preocupação da comunidade científica.

Os cientistas analisaram amostras de sangue de 22 doadores anónimos, todos adultos saudáveis ​​e encontraram partículas de plástico em 17. Metade das amostras continha plástico PET, que é normalmente usado em garrafas de bebidas, enquanto um terço continha poliestireno, usado para embalar alimentos e outros produtos. Um quarto das amostras continha polietileno, do qual são feitos os sacos de plástico.

“O nosso estudo é a primeira indicação de que temos partículas de polímero no sangue – é um resultado inovador”, disse Dick Vethaak, especialista da da Universidade de Amesterdão, na Holanda. “Mas temos que estender a pesquisa e aumentar o tamanho das amostras e o número de polímeros avaliados”, sublinhou.

Para o responsável “a preocupação é razoável. As partículas estão lá e são transportadas por todo o corpo”, afirmou citado pelo ‘The Guardian’, adiantando que estudos anteriores mostraram que os microplásticos eram 10 vezes maiores nas fezes dos bebés em comparação com os adultos.

“Também sabemos, em geral, que bebés e crianças pequenas são mais vulneráveis ​​à exposição a produtos químicos e partículas”, referiu “Isso preocupa-me muito”, acrescentou.

A nova pesquisa foi publicada na revista Environment International e adaptou as técnicas existentes para detetar e analisar partículas tão pequenas como 0,0007 mm. Algumas das amostras de sangue continham dois ou três tipos de plástico. A equipa usou agulhas de seringa de aço e tubos de vidro para evitar contaminação e testou os níveis de fundo de microplásticos com amostras em branco.

A nova pesquisa foi financiada pela Organização Nacional Holandesa para Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde e a Common Seas, uma empresa social que trabalha para reduzir a poluição plástica.

“A produção de plástico deve duplicar até 2040”, disse Jo Royle, fundadora da instituição de caridade Common Seas. “Temos o direito de saber o que todo esse plástico está a fazer com os nossos corpos”, acrescentou.

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