Cientistas identificam medicamentos que podem reduzir a mortalidade associada à Covid-19

Investigadores do Centro Nacional de Pesquisa de Cancro (CNIO) de Espanha, descobriram uma lista de medicamentos que podem combater a Covid-19, nomeadamente reduzindo a sua mortalidade,.

Simone Silva

Investigadores do Centro Nacional de Pesquisa de Cancro (CNIO) de Espanha, escreveram um artigo publicado na Scientific Reports, no qual apresentam uma lista de medicamentos que podem combater a Covid-19, nomeadamente reduzindo a sua mortalidade, devido ao potencial imunossupressor.

Segundo a pesquisa, citada pelo ‘ABC’, a inflamação é uma defesa do organismo para lutar contra patógenos. No entanto, quando acontece de forma excessiva e generalizada, pode agravar a patologia e até causar a morte.

Uma forma pela qual essa resposta excessiva ocorre é conhecida como tempestade de citocinas, um processo inflamatório produzido por essas proteínas, sinalizando a ativação do sistema imunológico. “Essa resposta é o que frequentemente mata os afetados pelo SARS-CoV-2 e não tanto o próprio vírus”, explica Óscar Fernández-Capetillo, do CNIO.

Tendo em conta essas conclusões, o estudo identificou primeiramente os medicamentos que podem agravar a gravidade da tempestade de citocinas e, portanto, seriam contraindicados em pacientes com Covid-19.

Embora a insuficiência respiratória associada à Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) seja a principal causa de mortalidade por Covid-19, várias evidências mostram que a letalidade num subgrupo de pacientes gravemente doentes, surge devido ao início tardio de uma tempestade inflamatória de citocinas, segundo o artigo.

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Perante isto, os investigadores procuraram encontrar os “antídotos”, através de estudos científicos que surgiram a partir de abril de 2020 e que identificaram as alterações na expressão génica das células pulmonares de pacientes com SARS-CoV-2, que morreram de uma tempestade de citocinas.

Esses dados foram usados ​​para interrogar o banco de dados Connectivity Map, desenvolvido pelo Broad Institute of MIT e Harvard University, que contém alterações na expressão génica que induzem cerca de cinco mil compostos, incluindo todos os medicamentos aprovados para uso clínico.

O objetivo foi identificar potenciais “antídotos”, compostos que induzam alterações na expressão de genes opostos aos observados em pacientes com Covid-19.

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“O estudo prevê que glicocorticóides como a dexametasona devem ser eficazes no combate à mortalidade em pacientes com Covid-19, o que foi tranquilizador, pois, de facto, esses medicamentos são, entre outros, usados ​​em hospitais para combater a morte pela doença”, refere Fernández-Capetillo.

Para sua surpresa, os investigadores concluíram – e posteriormente validaram in vitro – que os inibidores da proteína MEK, habitualmente usados ​​em tratamentos de cancro, tinham um forte efeito anti-inflamatório.

Os especialistas sublinham que qualquer tratamento baseado em anti-inflamatórios – incluindo glicocorticóides – deve ser restrito às fases tardia e grave da Covid-19, pois o seu uso nas fases iniciais da doença, limita a eficácia do sistema imunológico na sua luta contra a infeção.

Outra conclusão da pesquisa mostra que todas as análises do estudo convergem para indicar que os hormónios femininos poderiam combater a tempestade de citocinas, o que poderia contribuir para entender o porquê de os homens sofrerem maior gravidade da patologia.

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