Uma equipa de cientistas do Programa Global de Saúde do instituto Smithsonian, dos Estados Unidos descobriu seis novas estirpes do novo coronavírus em morcegos, depois de analisar mais de 750 amostras de saliva e fezes dos animais, comparando-as com os vírus já conhecidos, segundo a revista Científica PLOS ONE.
Os cientistas analisaram 11 espécies de morcegos, contudo as seis novas estirpes foram descobertas em três tipos concretos: o morcego-amarelo da Grande Ásia (Scotophilus heathii); o morcego de cauda livre (Chaerephon plicatus) e o morcego de nariz em folha de Horsfield (Hipposideros larvatus).
Está ainda a ser estudado qual o potencial de transmissão entre espécies, um facto que permanece desconhecido até à data e que é crucial para ter consciência de quais são os riscos futuros para a saúde humana.
Ainda que as seis novas estirpes pertençam à família do novo coronavírus, não se encontram directamente relacionadas (do ponto de vista genético) com a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS CoV-1), com a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) ou com a SARS-CoV-2, segundo os especialistas.
Os especialistas estimam que milhares de coronavírus, muitos dos quais ainda não foram descobertos, estejam presentes nos morcegos.
«As pandemias virais lembram-nos o quanto a saúde humana está ligada à saúde da vida selvagem e do meio ambiente», afirma Marc Valitutto, ex-veterinário do programa e principal autor do estudo. «Em todo o mundo, os seres humanos estão a interagir com a vida selvagem com uma frequência crescente. Portanto, quanto mais entendermos sobre estes vírus em animais – o que lhes permite sofrer mutações e como eles se espalham para outras espécies -, melhor podemos reduzir seu potencial pandémico», refere.
Este tipo de descobertas sublinham a importância da vigilância das doenças zoonóticas à medida que ocorrem na vida selvagem, consideram os especialistas, acrescentando que o controlo futuro das populações de morcegos vai permitir detectar possíveis ameaças virais à saúde público.
«Muitos coronavírus podem não representar um risco para as pessoas, mas quando identificamos essas doenças desde cedo nos animais, na fonte, temos uma oportunidade valiosa para investigar a ameaça em potencial», sublinha Suzan Murray, diretora do Programa de Saúde Global da Smithsonian e co-autora do estudo.
«A vigilância, a pesquisa e a educação são as melhores ferramentas que temos para evitar pandemias antes que elas ocorram», termina.













