Cientistas dão passo em frente na vacina do HIV: já há um imunógeno capaz de produzir anticorpos

Estudo publicado na ‘Nature Communications’ revelou um trímero único nativo usado para desenvolver anticorpos neutralizantes de nível 2

Francisco Laranjeira

O HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana, ou human immunodeficiency virus na versão inglesa) matou cerca de 36,3 milhões de pessoas em todo o mundo quase quatro décadas após a sua descoberta. E ainda não há vacina à vista. No entanto, estão a ser dados novos passos para o desenvolvimento de uma vacina, segundo apontou um estudo realizado por investigadores do ‘The Wistar Institute’, líder internacional de pesquisa biomédica em cancro, imunologia, doenças infeciosas e desenvolvimento de vacinas.

O estudo, publicado na revista científica ‘Nature Communications’, revelou uma promessa de usar um trímero único nativo para desenvolver anticorpos neutralizantes de nível 2 – essenciais para combater o HIV – em ratos de laboratório pela primeira vez. Anteriormente, a obtenção destes tipos de anticorpos usando vacinas candidatas exigia períodos de experiência longos e caros, em grandes modelos animais, criando um problema significativo no desenvolvimento de vacinas contra o HIV-1.

“Com a nossa descoberta, abrimos as portas para a vacinologia rápida e iterativa num modelo que pode produzir anticorpos neutralizantes de nível 2, permitindo o desenvolvimento de conceitos mais avançados de vacina contra o HIV”, frisou Daniel Kulp, professor associado do Centro de Vacinas e Imunoterapia do The Wistar Institute, e autor do artigo.

Os investigadores codificaram o trímero nativo em ADN para entrega em ratos de laboratórios – o que tem uma vantagem: transforma os corpos hospedeiros em fábricas de antígenos. Depois foram comparados os resultados dos ratos que receberam o trímero nativo e os ratos que receberam uma imunização de proteína padrão – apenas os ratos com o trímero desenvolveram anticorpos neutralizantes de nível 2. “Conseguimos gerar fortes respostas imunes em ambas as plataformas mas a do ADN impulsionou exclusivamente essa resposta neutralizante”, apontou Daniel Kulp.

“A estrutura dá-nos uma visão incrível de como esse anticorpo é capaz de neutralizar o vírus”, garantiu Kulp. “Pela primeira vez, podemos traçar estratégias sobre como projetar novas vacinas que podem gerar respostas de anticorpos amplamente neutralizantes ao epítopo C3V5”.

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“O que fizemos foi permitir a ‘automontagem’ direta in vivo de imunógenos estruturalmente projetados, que são desenhados e entregues ao usar tecnologia de ácido nucleico, dentro do animal vacinado. Os nossos dados demonstram a indução de neutralização autóloga de nível 2 e ilustram o valor da abordagem como uma ferramenta para criar imunidade adaptada cirurgicamente contra locais vulneráveis de um patógeno difícil, neste caso o HIV”, finalizou David B. Weiner, vice-presidente executivo e diretor do Centro de Vacinas e Imunoterapia.

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