O surto de varíola dos macacos – ou monkeypox – já tinha merecido o alerta de diversos cientistas desde fevereiro último: o aumento de casos em África nas últimas décadas deu ao vírus cada vez mais oportunidades de escapar para outros continentes, segundo revelou um estudo. “O monkeypox está evoluindo gradualmente para se tornar globalmente relevante”, alertam os cientistas.
A doença zoonótica, causada por um ortopoxvírus, resulta de uma doença semelhante à varíola em humanos. Desde que foi diagnosticada em 1970 na República Democrática do Congo (RDC), espalhou-se para outras regiões de África, principalmente Ocidental e Central, e começaram a surgir casos fora do continente africano.
Segundo os cientistas, o número de casos de varíola humana tem aumentado desde a década de 1970, com os aumentos mais dramáticos a ocorrer na RDC. A idade média aumentou de 4 (1970) para 21 anos (2010-2019). Houve uma taxa geral de letalidade de 8,7%. Desde 2003, a disseminação fora de África relacionada a importações e viagens resultou ocasionalmente em surtos. Interações/atividades com animais ou indivíduos infetados são comportamentos de risco associados à aquisição da varíola dos macacos.
A interrupção da vacinação contra a varíola conduziu a este aumento da transmissão de humano para humano. O aparecimento de surtos fora da África destaca a relevância global da doença. O aumento da vigilância e deteção de casos de varíola dos macacos são ferramentas essenciais para entender a epidemiologia em constante mudança desta doença ressurgida, garantem os cientistas.












