Cientistas apontam para controlo do surto em Portugal no início de Maio

Um cientista nos Estados Unidos conclui, através de um método que recorre a inteligência artificial para projectar a evolução da Covid-19 no mundo, que com uma «intervenção de saúde pública activa» desde 17 de Março (quando tínhamos 245 casos confirmados), Portugal poderia ter o pico da epidemia já a 23 de Março, com um total de 1026 casos. Assim, o controlo do surto poderia ser uma realidade já a 5 de Maio e, no final de 65 dias de epidemia, contaríamos um total de 2655 casos de Covid-19 no país, diz o mesmo estudo, consultado pelo “Público”.

A equipa de cientistas na China e Estados Unidos apresentou diversos cálculos e cenários numa pré-publicação de um artigo divulgado na última segunda-feira. Contudo, com o avançar da doença, o estudo ficou desactualizado. O trabalho falava de Portugal (entre outros 29 países), mas apresentava apenas o cenário para uma intervenção de saúde pública activa a começar a 9 de Março, o que não aconteceu.

Em declarações ao “Público”, Momiao Xiong, investigador no Departamento de Bioestatística na Escola de Saúde Pública da Universidade do Texas, em Houston, actualizou os dados, tendo como ponto de partida os casos confirmados na segunda-feira (245). Os dados partem do pressuposto de que a intervenção activa de saúde pública entraria em vigor no dia seguinte, 17 de Março (entrou a 16 de Março, quando todas as escolas fecharam).

Momiao Xiong diz que o pico seria a 23 de Março com o registo de 205 novos casos confirmados nesse dia, o controlo do surto no início de Maio quando teríamos um número total de casos de Covid-19 de 2655.

Xiong partilha ainda outros cenários menos optimistas para Portugal. Assim, se a acção de saúde pública (quarentena) só arrancasse a 23 de Março teríamos um pico a 30 de Março e um total de 14.825 casos, com fim anunciado para 2 de Junho. Por fim, se a intervenção apenas começasse a 30 de Março o pico seria a 3 de Abril e o total de casos chegaria aos 59.674 a 22 de Junho.

A nível mundial, os cientistas dão conta de que um atraso de quatro semanas (após 8 de Março) na adopção de medidas de protecção causaria um aumento do número total (cumulativo) de mortes de 7174 para 133.608 (usando uma média de 3,4% de taxa de mortalidade) e levava a que o controlo da pandemia só fosse conseguido a 22 de Agosto, em vez de 25 de Junho.

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