Cientistas alertam que grandes incêndios estão a mudar-se para novos ecossistemas (e Portugal está na lista)

Os grandes incêndios florestais estão a espalhar-se para regiões do mundo, que não costumavam ser tão afetadas por este flagelo, de acordo com uma nova análise de dados dos últimos 20 anos, realizada pelo ‘The Guardian’, que está a preocupar os cientistas.

Embora a área geral de queimadas anuais no mundo se tenha mantido relativamente inalterada durante este período, a pesquisa revela uma mudança no padrão regional de fogo, que está a afetar mais florestas e menos pastagens.

Nos últimos anos, vários incêndios destruíram enormes áreas da Califórnia, Austrália e Sibéria que normalmente eram intocáveis por este flagelo. Em África, por outro lado, houve uma redução dos incêndios na savana, uma área que ardia exponencialmente.

Os especialistas acreditam que as mudanças nos padrões de incêndio são impulsionadas por fatores humanos, nomeadamente o aquecimento global, que está a criar mais condições para este fenómeno nas florestas, transformando também pastagens em campos agrícolas.

As causas e consequências ainda estão a ser estudadas, mas os cientistas estão preocupados que esta alteração coloque mais dióxido de carbono das florestas na atmosfera. «Desde o início dos anos 2000, estamos a assistir a um declínio nos incêndios em pastagens, que dominam os números globais», refere Niels Andela, especialista  da Universidade de Cardiff, citada pelo ‘The Guardian’.

«Ao mesmo tempo, há um aumento em alguns sistemas de alto combustível, como o oeste dos Estados Unidos, que vários estudos relacionaram às mudanças climáticas», afirmou acrescentando: «Essa tendência ainda não é visível em todos os locais, mas é provável que se torne mais evidente em outras partes do mundo».

A seca relacionada com as alterações climáticas também contribuiu para o aumento da atividade de incêndios em países do sul da Europa, como Portugal, revela o jornal britânico.

Jacquelyn Chase, professora de geografia da California State University indica que «há um consenso entre os investigadores de incêndios de que as mudanças climáticas estão a prolongar a estação seca, embora a vegetação e as mudanças demográficas nas áreas rurais também sejam fatores importantes na gravidade e localização dos incêndios.

«O clima mediterrâneo sempre produziu incêndios na estação seca, mas a sua dimensão tornou-se claramente associada às mudanças recentes», acrescentou a especialista.

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