Cientistas alertam para «futuro sinistro da extinção em massa» e «perturbações climáticas»

O planeta enfrenta um “futuro sinistro de extinção em massa, declínio da saúde e perturbações climáticas” que ameaçam a sobrevivência humana devido à ignorância e à falta de ação, aponta um relatório publicado esta quarta-feira por grupo internacional composto por 17 cientistas.

No estudo, os investigadores alertam que há pessoas que ainda não compreenderam a urgência da biodiversidade e da crise climática, e afirmam que o planeta está num estado muito pior do que a maioria dos cidadãos – mesmo os cientistas – compreendem.

“A escala das ameaças à biosfera e a todas as suas formas de vida – incluindo a humanidade – é de facto tão grande que é difícil de compreender mesmo para os peritos bem informados”, escrevem os autores no relatório publicado no Frontiers in Conservation Science, que refere mais de 150 estudos detalhando os principais desafios ambientais do mundo.

O atraso entre a destruição do mundo natural e os impactos destas ações significa que as pessoas não reconhecem quão vasto é o problema, argumentam os investigadores.  O relatório adverte também que as migrações em massa induzidas pelo clima, as pandemias e os conflitos sobre os recursos serão inevitáveis no futuro, a não ser que sejam tomadas medidas urgentes para alterar isso.

“O nosso objetivo é proporcionar aos líderes uma interpretação realista do estado do planeta, a fim de evitar um futuro sinistro”, acrescentam os autores no estudo.

Além disso, lidar com a “enormidade do problema” exige mudanças profundas no “capitalismo global, educação e igualdade”, o que inclui a “abolição da ideia de crescimento económico perpétuo, a fixação de preços adequados para as externalidades ambientais, o fim da utilização de combustíveis fósseis e a capacitação das mulheres”, argumentam ainda os investigadores.

O relatório chega meses depois de os governos não terem atingido um único objetivo de biodiversidade da Organização das Nações Unidas (ONU) Aichi, um documento que pedia ação global ousada e inovadora para alcançar metas até 2020. Só que pela segunda vez consecutiva os governos não conseguiram atingir os objetivos de biodiversidade para 10 anos.

Esta semana, uma coligação de mais de 50 países comprometeu-se a proteger quase um terço do planeta até 2030.

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