Um novo estudo científico está a levantar preocupações sobre a segurança de alguns alimentos para cães e gatos. Investigadores descobriram que muitos produtos comerciais podem conter PFAS, um grupo de substâncias químicas sintéticas persistentes frequentemente associadas a riscos para a saúde.
Estes compostos, conhecidos como “químicos eternos”, foram detetados em vários alimentos para animais de estimação analisados num estudo recente publicado na revista científica ‘Environmental Pollution’, citado pelos britânicos do ‘Daily Mail’.
As substâncias per- e polifluoroalquiladas (PFAS) são utilizadas em inúmeros produtos do dia a dia, incluindo plásticos, utensílios antiaderentes e produtos de limpeza.
O problema é que estes compostos podem demorar mais de mil anos a decompor-se, acumulando-se no ambiente e nos organismos vivos.
Já foram encontrados praticamente em todo o planeta — desde regiões remotas do Ártico até ao fundo dos oceanos, além de terem sido detetados na água potável e até no sangue humano.
Estudo analisou 100 alimentos para animais
Para avaliar a possível exposição de animais de estimação, investigadores analisaram 100 produtos comerciais de ração para cães e gatos vendidos no Japão, incluindo alimentos provenientes da China, Estados Unidos, Austrália e União Europeia.
Os resultados mostraram que PFAS estavam presentes em muitos dos produtos testados.
As concentrações variaram bastante entre marcas e tipos de alimento.
Ração húmida pode representar maior exposição
Embora alguns alimentos secos apresentassem concentrações mais elevadas de PFAS por grama, os cientistas concluíram que a ração húmida pode representar maior exposição total.
Isso acontece porque os animais consomem quantidades muito maiores de comida húmida.
Ao contrário da ração seca, mais concentrada em calorias, os produtos húmidos exigem duas a três vezes mais quantidade para alimentar o animal, aumentando assim a ingestão potencial destas substâncias.
Produtos à base de peixe apresentaram níveis mais altos
O estudo também identificou diferenças consoante os ingredientes.
Os alimentos à base de peixe apresentaram níveis significativamente mais elevados de PFAS do que produtos à base de carne.
Produtos com ingredientes à base de grãos também apresentaram níveis relativamente elevados em alguns casos.
Segundo os investigadores, as concentrações encontradas podem representar uma fonte significativa de exposição diária para animais de companhia.
Possíveis efeitos na saúde
Ainda existem poucos estudos sobre os efeitos destes químicos em cães e gatos, mas as investigações disponíveis sugerem possíveis impactos na saúde.
Nos animais de estimação, a exposição a PFAS tem sido associada a problemas em órgãos como:
– fígado
– rins
– pulmões
– tiroide (especialmente em gatos)
Em humanos, estudos anteriores já relacionaram estes compostos com infertilidade, alterações comportamentais, defeitos congénitos, colesterol elevado e vários tipos de cancro.
Poluição global
A presença destes químicos não se limita a alimentos para animais.
Investigadores do ‘Environmental Working Group’ (EWG) descobriram recentemente PFAS no sangue de animais em quase todos os continentes, incluindo cães, cavalos, pandas, tigres siberianos, lontras e até moluscos.
Segundo os cientistas, isso mostra que a contaminação por estes compostos se tornou um problema ambiental global.
Como os PFAS entram na cadeia alimentar
Os PFAS são utilizados como repelentes de água e gordura em muitos produtos industriais.
Podem entrar no ambiente através de fábricas químicas, bases militares e centros de treino de combate a incêndios que utilizam espumas especiais contendo estes compostos.
Uma vez libertados, podem contaminar solo, água e alimentos, entrando assim na cadeia alimentar.














