Cidades a ferver? A regra 3-30-300 pode ser a resposta para arrefecer ruas e bairros

Com ondas de calor mais frequentes, a adaptação urbana deixa de ser apenas uma questão ambiental e passa a ser também uma questão de saúde pública e qualidade de vida.

Executive Digest

Numa altura em que uma onda de calor atinge vários países europeus, especialistas em urbanismo e saúde ambiental defendem que as cidades precisam de se adaptar melhor às temperaturas extremas. Uma das propostas passa pela regra 3-30-300, uma fórmula simples que pretende aumentar a presença de árvores e espaços verdes nos bairros urbanos.

De acordo com a Renascença, a ideia foi defendida por Eva Schwab, diretora do Instituto de Urbanismo da Universidade Técnica de Graz, na Áustria, em entrevista à Rádio Agora.

A regra parte de três objetivos: cada pessoa deve conseguir ver pelo menos três árvores a partir da sua janela, 30% da área dos bairros residenciais deve estar à sombra, preferencialmente por árvores, e todos os moradores devem ter acesso a um espaço verde confortável num raio de 300 metros.

Mais árvores para baixar a temperatura das cidades

Para Eva Schwab, esta fórmula pode ajudar a tornar os centros urbanos mais resistentes às ondas de calor. A arquiteta paisagista sublinha que a resposta passa, em grande medida, pela presença de árvores e zonas verdes no espaço público.

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A regra 3-30-300 foi inicialmente desenvolvida pelo investigador neerlandês Cecil Konijnendijk, diretor do Nature Based Solutions Institute, organismo internacional dedicado à investigação, formação e consultoria nas áreas da silvicultura urbana e das soluções baseadas na natureza.

O objetivo é levar as cidades a planearem melhor a sua estrutura urbana, usando a natureza como instrumento de adaptação climática. Em vez de depender apenas de soluções artificiais para arrefecer o espaço urbano, a proposta aposta na sombra, na vegetação e na proximidade a áreas verdes.

Segundo a Renascença, Eva Schwab considera que os espaços verdes só conseguem ajudar verdadeiramente a combater o calor se estiverem bem distribuídos e acessíveis à população. A questão não é apenas ter parques na cidade, mas garantir que estes fazem parte da vida diária dos moradores.

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O que significa a regra 3-30-300

A primeira parte da fórmula defende que todos devem poder ver três árvores a partir de casa. Este princípio procura reforçar a presença visual da natureza no quotidiano urbano e tornar os bairros menos dominados por betão e asfalto.

A segunda meta aponta para 30% de sombra nos bairros residenciais. A sombra deve ser garantida idealmente por árvores, já que estas ajudam a reduzir a sensação térmica e tornam ruas, praças e zonas de passagem mais suportáveis nos dias de maior calor.

O terceiro elemento da regra estabelece que qualquer pessoa deve conseguir chegar a um espaço verde num raio de 300 metros. Esse espaço deve permitir permanência confortável, ou seja, não basta existir uma zona ajardinada: é necessário que seja utilizável em períodos de calor.

Calor extremo também exige mudanças no comportamento

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Além do planeamento urbano, os especialistas alertam para a necessidade de adaptar rotinas nos dias de temperaturas muito elevadas. Hans-Peter Hutter, médico especialista em saúde ambiental da Universidade de Viena, defende que a primeira recomendação deve ser abrandar o ritmo.

O especialista explica que o calor e o stress já colocam uma pressão adicional sobre o sistema cardiovascular. Por isso, tentar manter o mesmo nível de atividade ou acumular tarefas em dias de calor extremo pode agravar o desgaste físico.

A recomendação é simples: levar as coisas com mais calma. Para Hans-Peter Hutter, reduzir o ritmo é uma forma prática de proteger o corpo quando as temperaturas estão demasiado altas.

Igrejas, supermercados e centros comerciais podem servir de refúgio

Outra sugestão do médico passa por procurar espaços mais frescos durante os períodos mais críticos do dia. As igrejas são apontadas como uma opção em várias cidades europeias, devido à sua arquitetura, que tende a manter temperaturas interiores mais baixas.

Supermercados e centros comerciais também podem funcionar como locais de arrefecimento, por terem condições de climatização. Para quem não tem acesso a uma casa fresca ou precisa de escapar temporariamente ao calor, estes espaços podem ser uma alternativa próxima e útil.

A combinação entre cidades com mais árvores, bairros com mais sombra e comportamentos mais prudentes em dias de calor extremo pode tornar-se cada vez mais relevante. Com ondas de calor mais frequentes, a adaptação urbana deixa de ser apenas uma questão ambiental e passa a ser também uma questão de saúde pública e qualidade de vida.

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