Cidadãs da Gronelândia acusam médicos dinamarqueses de colocarem aparelhos contracetivos a milhares de meninas sem consentimento e com intuito de reduzir a população

Um grupo de pelo menos 67 mulher gronelandesas alega que lhes foi colocado um dispositivo contracetivo intrauterino (DIU) sem o seu consentimento e conhecimento, por médicos da Dinamarca, pelo que planeiam processar o Estado da Dinamarca pelo que consideram “uma violação”.

Pedro Gonçalves
Outubro 2, 2023
17:06

Um grupo de pelo menos 67 mulher gronelandesas alega que lhes foi colocado um dispositivo contracetivo intrauterino (DIU) sem o seu consentimento e conhecimento, por médicos da Dinamarca, pelo que planeiam processar o Estado da Dinamarca pelo que consideram “uma violação”.

Em causa está uma medida, aplicada por médicos dinamarqueses, na tentativa de reduzir a população da Gronelândia, entre 1966 e 1970, e que terá afetado 4500 mulheres e raparigas.

As mulheres alegam que a colocação do dispositivo contracetivo sem o seu consentimento teves “consequências graves” nas suas vidas, pelo que exigem uma indemnização de pelo menos 3 mil coroas (mais de 4 mil euros). Caso o Estado dinamarquês não aceda à exigência, vão avançar para tribunal.

“Os nossos advogados têm a certeza de que os nossos direitos humanos foram violados, a lei foi violada. No fundo foi o mesmo que esterilizar meninas de tenra idade”, acusou Naja Lyberth, uma das primeiras mulheres a lançar o movimento. A ativista, a quem foi colocando um DIU aos 12 anos, denuncia que são muitas as mulheres a quem aconteceu o mesmo, e que desenvolveram problemas no aparelho reprodutor, até hoje não conseguindo engravidar.

Há mulheres que só muito recentemente descobriram o que lhes tinha acontecido. Ainda que muitas vítimas tenham revelado os casos, o escândalo demorou algum tempo a ganhar tração politica. Só este ano é que o estado dinamarquês e o Governo autónomo da Gronelândia abriram uma investigação aos casos de DIU colocados sem consentimento e outras práticas de prevenção de gravidezes aplicadas naquele território entre 1960 e 1991, altura em que o controlo da Gronelândia foi retomado pelo governo autónomo.

“Agora podemos estabelecer limites. Podemos tomar os nossos recursos de volta e lutar pela igualdade. Nós, na Gronelândia, não éramos iguais a eles quando nos fizeram isto. Nunca fariam uma coisa destas na Dinamarca, ou às raparigas dinamarquesas”, lamentou Naja Lyberth, citada pelo The Guardian.

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