Cidadãos consideram sistema de depósito de embalagens positivo mas pouco eficiente

No dia do lançamento do sistema de embalagens para reciclagem (SDR), alguns cidadãos ouvidos pela Lusa junto a centros comerciais da capital disseram que a iniciativa é positiva, mas consideraram que será pouco eficiente.

Executive Digest com Lusa


Lisboa, 10 abr 2026 (Lusa) — No dia do lançamento do sistema de embalagens para reciclagem (SDR), alguns cidadãos ouvidos pela Lusa junto a centros comerciais da capital disseram que a iniciativa é positiva, mas consideraram que será pouco eficiente.


“Acho que a proposta é útil porque as pessoas dão muito mais valor quando há um valor monetário envolvido”, disse Ana Pinheiro referindo-se ao facto de a colocação de cada embalagem na máquina automática valer 10 cêntimos.


As máquinas do SDR, que vão chegar a todo o país, vão receber embalagens de bebidas de uso único, de plástico e metal, até três litros, e imprimir o respetivo reembolso. A máquina esmaga a embalagem e retribui com o reembolso de 10 cêntimos.


O sistema, denominado de Volta, pretende reciclar 90% dos produtos abrangidos até 2029, segundo os responsáveis pela iniciativa.

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“A iniciativa leva as pessoas a fazerem reciclagem”, disse Ana Pinheiro, no Centro Comercial Fonte Nova, em Benfica, que ainda não tem uma máquina instalada. A moradora acrescentou que também as embalagens de vidro deveriam estar incluídas no sistema.


Entre os relatos que a Lusa recolheu, houve também opiniões negativas sobre o SDR, como foi o caso de João Santos, que a considerou uma imposição.


“É estranho sermos obrigados a aceitar o que eles estão a decidir”, disse João Santos, no mesmo centro comercial, acompanhado pela mulher, Fernanda, que partilhou da mesma opinião.

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João Santos disse que a iniciativa é pouco útil e que não deverá ter grande impacto pelos 10 cêntimos. Ainda assim, o casal disse que faz a separação do lixo “há muitos anos e que quem já tem esse hábito vai continuar”.


Mariana Antão considerou a iniciativa útil para que as pessoas reciclem mais, mas criticou a necessidade de as embalagens estarem intactas para poderem ser colocadas nas máquinas.


“Acho que é um bocado complicado porque a maior parte delas [as garrafas de plástico] amachuca-se facilmente”, observou.


Mariana Antão disse ainda que usaria o sistema se tivesse uma garrafa que acabou de ficar vazia e houvesse uma máquina de SDR perto.


Alguns transeuntes que a reportagem da Lusa encontrou ainda não tinham ouvido falar do sistema, mas disseram que quando virem as máquinas as vão utilizar.

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No centro comercial Colombo, também em Benfica, já foi colocada uma máquina no parque de estacionamento, mas esta tarde ainda não estava funcionar.


A partir hoje, desde que tenham o símbolo Volta, estejam inteiras, sem líquidos, com tampa e com o código de barras, as embalagens são aceites em qualquer uma das 2.500 máquinas que serão espalhadas pelo país, mais de 8.000 pontos de recolha manual e 48 quiosques para entregas de grandes quantidades que estarão junto de supermercados.


Até 9 de agosto, o SDR está numa fase de transição e por isso é natural estarem à venda os produtos sem o logótipo, que por isso não são aceites pelas máquinas.


No entanto, ao comprar a bebida o consumidor também não pagou os 10 cêntimos a mais pela embalagem.


O sistema SDR já está implementado em vários países europeus, como a Alemanha, Áustria ou Dinamarca, e recolhe anualmente mais de 35 mil milhões de embalagens, envolvendo cerca de 357 milhões de habitantes.


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