Depois de um início de outubro marcado por alguma estabilidade, o tempo deverá voltar a mudar este fim de semana, com a possibilidade de formação da primeira “gota fria” relevante do outono entre este domingo e segunda-feira, 5 de outubro. O fenómeno poderá favorecer a ocorrência de aguaceiros e trovoadas em várias regiões de Portugal continental, embora ainda exista uma elevada incerteza quanto à sua evolução e aos locais mais afetados.
As previsões apontam para uma mudança gradual das condições meteorológicas a partir de sexta-feira e para um agravamento da instabilidade durante o fim de semana. O portal especializado Tempo.pt assinala, contudo, que uma previsão meteorológica não representa uma certeza e que pequenas alterações na posição da depressão em altitude podem modificar significativamente o cenário previsto.
Quinta-feira ainda será marcada pelo tempo estável
Antes da chegada da instabilidade, esta quinta-feira, 1 de outubro, deverá ser marcada por condições meteorológicas geralmente estáveis em Portugal continental. A passagem da frente fria ocorrida na quarta-feira, 30 de setembro, ainda poderá deixar alguns períodos de chuva nas próximas horas, mas a tendência será para uma recuperação das condições anticiclónicas.
Para quinta-feira, prevê-se céu pouco nublado ou limpo, embora possa ocorrer um aumento temporário da nebulosidade nas regiões do interior durante a tarde. As temperaturas máximas deverão subir ligeiramente, sobretudo no interior Norte e Centro.
Os valores mais elevados são esperados em Évora, Beja e Faro, onde poderão atingir os 28 ºC.
Será, assim, uma espécie de intervalo antes do regresso da instabilidade previsto para os dias seguintes.
Aguaceiros e trovoadas regressam na sexta-feira e no sábado
A mudança deverá começar a notar-se na sexta-feira, 2 de outubro, e prolongar-se pelo sábado, dia 3. Para estes dois dias está previsto céu geralmente muito nublado, acompanhado pela passagem de ondulações que poderão provocar períodos de aguaceiros.
A precipitação deverá apresentar um carácter irregular e disperso, existindo ainda a possibilidade de os aguaceiros serem acompanhados por trovoadas. Neste tipo de episódios de precipitação convectiva, a localização exata das zonas mais afetadas é particularmente difícil de determinar com antecedência.
Ainda assim, os mapas meteorológicos apontam, de forma geral, para uma maior exposição das regiões do interior de Portugal continental. Não está, contudo, afastada a possibilidade de formação ocasional de células convectivas junto ao litoral.
A instabilidade prevista para sexta-feira e sábado será, portanto, o primeiro sinal da mudança que poderá ganhar maior expressão durante o domingo e a segunda-feira.
Gota fria pode formar-se a oeste de Portugal
É precisamente entre domingo e segunda-feira, 4 e 5 de outubro, que poderá surgir o fenómeno meteorológico que concentra maior atenção nas previsões atuais: uma depressão com expressão em altitude, habitualmente designada por “gota fria”.
O modelo europeu ECMWF prevê a entrada de ar frio nos níveis médios e altos da troposfera sobre o noroeste da Península Ibérica nos próximos dias. A partir de domingo, poderá ocorrer o desprendimento dessa bolsa de ar frio da corrente de jato polar, dando origem a uma depressão isolada em altitude.
As últimas simulações colocam este sistema a oeste de Portugal continental, em pleno Atlântico. A evolução posterior permanece, contudo, bastante incerta.
A posição da gota fria será particularmente importante para determinar os efeitos sobre o território português. Uma pequena alteração na sua localização poderá provocar mudanças significativas na distribuição e intensidade da instabilidade.
É precisamente por essa razão que, apesar de os modelos apontarem para a formação do sistema, ainda não é possível determinar com exatidão onde e quando ocorrerão os episódios de maior precipitação.
ECMWF e GFS apresentam cenário semelhante
O modelo meteorológico norte-americano GFS apresenta atualmente um cenário semelhante ao do ECMWF. Os dois principais modelos meteorológicos à escala global coincidem na previsão de que a bolsa de ar frio se poderá separar do jato polar a partir de domingo, 4 de outubro, ficando posicionada no Atlântico, a oeste de Portugal continental.
Esta concordância entre os modelos é considerada relevante, sobretudo porque as gotas frias são fenómenos meteorológicos particularmente difíceis de prever.
Uma gota fria corresponde a uma depressão que se isola nos níveis superiores da troposfera depois de se separar da corrente de jato polar. Estas perturbações são acompanhadas por um núcleo de ar frio na troposfera média e superior e podem ser identificadas, nomeadamente, nos mapas meteorológicos de 500 hPa.
Apesar da coincidência entre os modelos quanto à formação do sistema, a sua trajetória e evolução continuam a apresentar um grau elevado de incerteza.
Domingo e segunda-feira podem trazer aguaceiros e trovoadas
Caso o cenário atualmente projetado pelo modelo europeu se confirme, domingo, 4 de outubro, e segunda-feira, 5 de outubro, poderão ser marcados por aguaceiros e trovoadas de carácter irregular.
Os episódios de precipitação serão difíceis de quantificar antecipadamente, tanto em termos de intensidade como de distribuição geográfica. A instabilidade poderá ser mais provável durante a tarde dos dois dias, embora não esteja excluída a ocorrência de aguaceiros e trovoadas noutros períodos.
Isso significa que a chegada da gota fria não deverá traduzir-se numa situação de chuva contínua em todo o território. Pelo contrário, o cenário apontado é de alternância entre períodos de céu nublado, abertas e precipitação convectiva, que poderá surgir de forma intermitente e concentrar-se apenas em determinadas áreas.
As previsões de probabilidade baseadas no modelo ECMWF colocam as regiões Norte e Centro como as zonas onde a instabilidade convectiva terá maior probabilidade de ocorrer. O modelo GFS aponta também para uma probabilidade significativa de instabilidade nessas duas regiões.
Previsão ainda pode sofrer alterações
Apesar de os modelos ECMWF e GFS coincidirem na formação da depressão isolada em altitude, a previsão para o início da próxima semana permanece sujeita a alterações.
A principal dificuldade está relacionada com a posição que a gota fria irá assumir a oeste de Portugal continental e com a sua evolução posterior. Pequenas diferenças na trajetória deste tipo de sistemas podem traduzir-se em mudanças substanciais na previsão de chuva e trovoada.
Por isso, a possibilidade de a primeira gota fria relevante do outono influenciar o estado do tempo em Portugal durante domingo e segunda-feira é atualmente apontada pelos modelos, mas a distribuição concreta da precipitação e a sua intensidade ainda não podem ser determinadas com precisão.
O cenário previsto para os próximos dias é, assim, de uma quinta-feira ainda estável, seguida pelo regresso dos aguaceiros e trovoadas na sexta-feira e no sábado, antes de uma possível intensificação da instabilidade durante domingo e segunda-feira, precisamente quando poderá formar-se a primeira gota fria com expressão relevante deste outono.














