Chuva, frio e mau tempo: como é que os dias cinzentos afetam o nosso humor e saúde mental?

Luz solar tem um papel central na regulação de hormonas e neurotransmissores associados ao humor

Francisco Laranjeira
Fevereiro 4, 2026
13:16

Com a chegada de longos períodos de tempo frio e nublado, muitos portugueses têm relatado uma queda na energia, motivação e humor, uma realidade que vai além da simples “tristeza de inverno”. A redução das horas de sol e da exposição à luz natural pode desencadear alterações biológicas e psicológicas que influenciam diretamente o bem‑estar, indicou a publicação ‘El Economista’, conforme apontam especialistas em saúde mental e investigam estudos científicos.

A luz solar tem um papel central na regulação de hormonas e neurotransmissores associados ao humor. Com menos exposição ao sol durante os meses de inverno, os níveis de serotonina — um neurotransmissor ligado à sensação de bem‑estar — tendem a diminuir, o que está associado a estados de humor mais baixo, cansaço e irritabilidade.

Por outro lado, a melatonina, hormona envolvida no controlo do ciclo sono‑vigília, aumenta com a escuridão prolongada. Esta alteração pode provocar sonolência diurna, dificuldade em acordar de manhã e perturbações do sono, fatores que contribuem para a sensação de letargia e redução de energia nos meses mais escuros.

Transtorno afetivo sazonal: quando o inverno pesa no humor

Em algumas pessoas, a falta de luz não se traduz apenas num “mau humor temporário”, mas num quadro clínico chamado transtorno afetivo sazonal (TAS), uma forma de depressão que surge com a mudança das estações, especialmente no outono e inverno. Os sintomas variam de tristeza persistente, perda de interesse em atividades habituais e alterações no sono a pensamentos de desesperança.

O TAS não é simplesmente uma “tristeza de inverno”, mas um distúrbio reconhecido que pode exigir tratamento específico, como fototerapia (terapia com luz), terapia psicológica, mudanças no estilo de vida ou, em alguns casos, medicação prescrita por um profissional de saúde.

O impacto social e biológico da falta de sol

Além da biologia, o inverno também reduz naturalmente as interações sociais, já que temperaturas baixas e dias curtos encorajam as pessoas a passar mais tempo em casa. Esse isolamento pode agravar a sensação de tristeza e diminuir o apoio social que muitos encontram no convívio diário, reforçando o impacto negativo no bem‑estar mental.

Também se aponta que a menor produção de vitamina D, vitamina sintetizada pelo corpo através da exposição ao sol, pode agravar esses efeitos, uma vez que a vitamina D está relacionada com a atividade da serotonina e a saúde mental em geral.

Estratégias para atenuar os efeitos do inverno

Especialistas recomendam várias medidas para minimizar o impacto da falta de sol no humor:

– Exposição à luz natural sempre que possível, mesmo em dias nublados;

– Fototerapia, utilizando dispositivos de luz que simulam a intensidade solar;

– Exercício físico regular, que ajuda a regular neurotransmissores e o relógio biológico;

– Manter uma rotina de sono consistente para reduzir a desregulação da melatonina;

– Alimentação equilibrada e prática de atividades sociais que promovam interação e bem‑estar.

Combinadas, estas estratégias podem ajudar a manter o equilíbrio emocional durante os meses de inverno mais escuros e a reduzir a sensação de cansaço, irritabilidade e falta de energia que muitos portugueses sentem nesta altura do ano.

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