A empresa chinesa de inteligência artificial (IA) Zhipu AI disparou hoje até 48% em bolsa depois de o banco norte-americano JPMorgan ter revisto em alta a avaliação da empresa e reduzido as previsões para a rival MiniMax.
As ações da Zhipu AI, cujo nome oficial é Knowledge Atlas Technology e que também utiliza a designação Z.ai nos mercados internacionais, chegaram a atingir os 1.620 dólares de Hong Kong (178 euros) nos primeiros minutos da sessão de hoje na Bolsa de Valores de Hong Kong, o que representou uma valorização de 47,68% face ao fecho anterior.
Pouco depois das 10:30 locais (03:30 em Lisboa), os ganhos abrandaram para cerca de 29,4%.
A subida ocorreu após analistas do JPMorgan terem elevado o preço alvo da empresa de 950 para 1.400 dólares de Hong Kong (de 104 para 154 euros), citando a visibilidade dos modelos de IA desenvolvidos pela companhia e a sua capacidade de fixar preços num mercado altamente competitivo.
A Zhipu AI estreou-se na Bolsa de Hong Kong no início de janeiro, numa operação que captou cerca de 559 milhões de dólares (481 milhões de euros) e que a tornou a primeira empresa chinesa exclusivamente dedicada ao desenvolvimento de grandes modelos de linguagem a cotar naquele mercado.
Desde então, as ações acumularam uma valorização superior a 1.000%, refletindo o forte interesse dos investidores pelas empresas chinesas ligadas à inteligência artificial.
A tecnológica justificou a escolha de Hong Kong como plataforma para a expansão internacional, destacando, entre outros produtos, um assistente de programação com um custo mensal de cerca de três dólares (2,5 euros), significativamente inferior ao praticado pelo Claude, desenvolvido pela Anthropic.
A valorização registada hoje ganha maior relevância porque o JPMorgan reduziu simultaneamente o preço alvo da MiniMax, uma das principais concorrentes domésticas da Zhipu AI, de 1.100 para 400 dólares de Hong Kong (de 121 para 44 euros).
O banco justificou a revisão em baixa com dúvidas sobre a capacidade da MiniMax para diferenciar os seus modelos a longo prazo, entre outros fatores.
O desempenho das empresas chinesas de IA tem sido impulsionado não apenas pelo crescimento do setor, mas também pelas expectativas de que Pequim reforce o apoio à indústria depois de ter identificado a autossuficiência tecnológica como uma prioridade do novo plano quinquenal (2026-2030).
A guerra comercial com os Estados Unidos evidenciou a dependência chinesa em áreas consideradas estratégicas, nomeadamente nos semicondutores.
Os investidores esperam que as empresas chinesas continuem a reduzir a distância que as separa das rivais norte-americanas em áreas como investigação, inovação e capacidade dos modelos, tirando partido da sua principal vantagem competitiva: a oferta de serviços de IA a custos significativamente mais baixos.



