Um relatório da Strider Technologies, empresa privada de informação secreta, denuncia que dezenas de cientistas chineses que trabalharam num dos mais avançados laboratórios de armas dos EUA, em Los Alamos, foram depois ‘recrutados’ pela China para voltarem ao país a ajudar o governo de Pequim a desenvolver tecnologias de guerra, como mísseis hipersónicos, ogivas de guerra, drones, camuflagem e submarinos.
De acordo com o relatório, citado pelo The Telegraph, até ao ano passado havia registo de 162 cientistas chineses do Laboratório Nacional de Los Alamos, onde se desenvolveu a bomba atómica, que tinham voltado para a China para integrar programas de desenvolvimento de tecnologia com potencial militar.
Os cientistas em causa trabalharam naquele laboratório entre 1987 e 2021, tendo um deles recebido bolsas e apoios de mais de 22 milhões de euros para estudar e investigar em Los Alamos. Detalham os responsáveis que os investigadores chegaram a ser pagos com salários de mais de um milhão de euros, para integrarem estudos subsidiados pelo Partido Comunista Chinês (PCC), nos seus vários ‘programas de talentos’.
80% regressaram para programas deste género, incluindo 59 cientistas que se juntaram ao Programa dos Mil Talentos, o mais prestigiado – e mais bem pago.
Na denúncia, são descritos vários episódios, como um cientista, “com acesso a informações classificadas de topo”, que depois se juntou a um programa de desenvolvimento de tecnologia de guerra do Partido Comunista Chinês, ou outro que trabalhou em Los Alamos e depois voltou para a China para patentear “uma ogiva de guerra com alta capacidade de penetração”.
“É um sistema. Um sistema montado pelo Partido Comunista Chinês para incentivar indivíduos a irem para os EUA, para o Reino Unido, para outros países, para estudarem e aprenderem. E depois há os enormes benefícios reputacionais ao votarem para a China diz Greg Lavesque, autor do estudo.
“Fiquei chocado com o número. Estamos a falar da vasta maioria dos cientistas chineses a trabalhar em Los Alamos. O que temos nas nossas mãos é um estado que tem os laboratórios de armas nacionais como alvo, e enviam pessoas e depois recrutam-nas nessas instituições. É uma ameaça de segurança nacional. Se acontece em Los Alamos, o que não estará a acontecer nas nossas instituições universitárias, não só as nossas, mas as dos nossos aliados?”, termina Lavasque.












