A China está este domingo em alerta para a aproximação do tufão Dolphin, que deverá atingir ou passar muito próximo da costa leste do país entre este domingo e segunda-feira. As províncias de Zhejiang e Fujian encontram-se entre as regiões sob maior vigilância, perante a previsão de ventos fortes e chuva torrencial.
O Dolphin é o 13.º tufão da temporada de 2026 no Pacífico e chega à costa chinesa depois de um percurso invulgarmente longo. O ciclone formou-se a oeste da Linha Internacional de Data e atravessou uma grande extensão do oceano antes de se aproximar da Ásia continental.
Dong Lin, meteorologista-chefe do Centro Meteorológico Nacional da China, salientou que é raro uma tempestade com um percurso tão longo conseguir chegar ao país mantendo esta intensidade. A trajetória exata continua, contudo, envolvida em alguma incerteza.
As previsões divulgadas pelas autoridades chinesas apontavam para uma possível chegada a terra entre Zhejiang e Fujian, depois de o Dolphin atravessar as ilhas Ryukyu, no Japão, e entrar no mar da China Oriental. O Centro Meteorológico Nacional manteve o alerta amarelo, o terceiro mais elevado numa escala de quatro níveis.
Na sexta-feira, quando ainda se encontrava a centenas de quilómetros da costa chinesa, o Dolphin apresentava ventos máximos próximos do centro na ordem dos 150 km/h, segundo dados meteorológicos japoneses. O sistema apresentava também uma pressão central de cerca de 940 hPa e uma extensa área afetada por ventos fortes.
A dimensão do sistema levou as autoridades chinesas a começar os preparativos com vários dias de antecedência. Em Zhejiang foram suspensas ligações marítimas de passageiros, interrompidos trabalhos no mar e ordenado o regresso de embarcações a locais seguros. Mais de 10 mil habitantes de ilhas próximas da costa tinham já sido retirados preventivamente.
As autoridades recorreram também a drones, inteligência artificial e outros sistemas de monitorização para acompanhar a aproximação do ciclone e avaliar riscos em zonas costeiras. Várias províncias reforçaram os mecanismos de resposta de emergência, enquanto pescadores e embarcações foram chamados a regressar aos portos.
Antes de se aproximar da China, o Dolphin afetou o sul do Japão. Mais de cinco mil pessoas receberam ordens de retirada em Kagoshima e mais de 600 voos foram cancelados, afetando dezenas de milhares de passageiros.
Mas a principal preocupação na China não se limita aos ventos. O Dolphin deverá transportar grandes quantidades de humidade e provocar precipitação forte a torrencial em partes do leste do país, sobretudo nas regiões próximas e a norte do ponto onde entrar em terra.
E o impacto poderá prolongar-se para lá da chegada do tufão à costa. Uma das possibilidades estudadas pelos meteorologistas é que, depois de entrar em território chinês, os restos do Dolphin avancem para norte e interajam com uma massa de ar mais frio. Nesse cenário, poderão ocorrer períodos prolongados de chuva intensa no norte e nordeste da China entre 12 e 14 de agosto.
A outra possibilidade é o sistema avançar para oeste depois de tocar terra e permanecer durante dois ou três dias sobre o sul do país. É precisamente esta incerteza sobre aquilo que acontecerá depois da chegada à costa que está a dificultar a previsão dos locais que poderão receber as maiores quantidades de precipitação.
O tufão surge num verão particularmente difícil para várias regiões chinesas. Chuvas torrenciais, inundações e deslizamentos de terra provocaram dezenas de mortes e obrigaram à retirada de centenas de milhares de pessoas em diferentes províncias.
Só na última semana, o Governo chinês disponibilizou centenas de milhões de yuan do fundo central de auxílio a catástrofes para apoiar regiões atingidas por inundações, financiar operações de busca e salvamento, alojar populações retiradas e reparar habitações danificadas.
É neste cenário de solos já saturados e sucessivos episódios de chuva intensa que o Dolphin chega agora à costa. E mesmo depois de perder força sobre terra, a ameaça poderá não desaparecer: a quantidade de humidade transportada pelo sistema significa que a chuva poderá tornar-se o principal perigo muito depois de os ventos do tufão começarem a enfraquecer.














