China pode estar a incentivar a toma de uma vacina contra a Covid-19 que não foi testada

Mas estes passos obrigatórios não impediu o China National Biotech Group (CNBG), subsidiária da Sinopharm, de garantir às empresas estatais que as vacinas são seguras e estão prontas para serem usadas pelos seus funcionários.

Sónia Bexiga

Na corrida desenfreada até à vacina contra a Covid-119 protagonizada por farmacêuticas e universidades de todo o mundo, entre elas as gigantes chinesas Sinopharm, CanSino e a Sinovac Biotech, existe um protocolo, fases para ultrapassar e neste momento ninguém concluiu os ensaios da terceira fase, a que valida eficácia e segurança.

Mas estes passos obrigatórios não impediu o China National Biotech Group (CNBG), subsidiária da Sinopharm, de garantir às empresas estatais que as vacinas são seguras e estão prontas para serem usadas pelos seus funcionários.

Numa carta, a subsidiária da China TravelSky Holding, empresa estatal de viagens, explica aos seus colaboradores, em junho passado, que as duas vacinas contra o coronavírus da Sinopharm são seguras e eficazes e já estariam disponíveis para os funcionários de empresas estatais que trabalham em aeroportos e em viagens internacionais, segundo noticiou o ‘Wall Street Journal’.

A carta não fazia qualquer menção a que as vacinas ainda pudessem estar a passar por ensaios clínicos.

Mas há mais carta neste sentido. Desta feira enviada aos funcionários da gigante petrolífera estatal PetroChina, aos quais é oferecida a hipóteses de estar entre os primeiros a tomar uma vacina contra o coronavírus, sem mencionar possíveis riscos, segundo o ‘New York Times’ que acrescenta que, apesar destes funcionários do estado não estarem a tomar as vacinas, no âmbito dos ensaios clínicos em curso, receberam vacinas contra o coronavírus para uso em eventual “emergência”.

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Os cientistas já vieram alertar que nenhuma vacina deve ser apresentada como definitivamente segura e eficaz enquanto o teste estiver em curso. “É estranho que uma vacina seja caracterizada como segura antes da conclusão dos ensaios da fase três em dezenas de milhares de recetores”, diz Paul Offit, diretor do Centro de Educação de Vacinas do Hospital Infantil da Filadélfia. O objetivo de grandes ensaios clínicos, bem projetados, é testar a segurança e a eficácia das vacinas.

“São exigidos centenas, senão milhares, de participantes por um longo período de tempo, porque precisamos de detetar possíveis eventos adversos que podem não se manifestar imediatamente após a administração”, diz Alex John London, diretor do Centro de Ética e Política da Universidade Carnegie Mellon.

Esta não é a primeira vez que os estudos de vacina contra o coronavírus da China ignoram o usual protocolo. Há duas semanas, a SinoPharm deu nota de que os executivos da empresa ajudaram a “pré-testar” a vacina antes de ser aprovada para os primeiros testes em humanos.

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A China já enfrentou consequências para padrões fracos na produção de vacinas. Em 2018, um dos principais fabricantes de medicamentos, Changsheng Biotechnology, falsificou os registos de inspeção de vacinas contra raiva e produziu vacinas infantis contra tosse convulsa, difteria e tétano que não forneceram proteção adequada.

Até ao momento, os estudos publicados por empresas chinesas mostram fortes resultados para as vacinas contra o coronavírus. Mas até que as provas sejam concluídas, o seu valor permanece não comprovado.

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