China já respira, Itália e Espanha em colapso e o resto do mundo a preparar-se para o pior

Como estão a reagir os sistemas de saúde dos países europeus mais afectados pela pandemia Covid-19, que já chegou a 182 países?

Executive Digest

Enquanto em Wuhan, na China – epicentro da pandemia em Dezembro do ano passado -, a vida começa lentamente a voltar ao normal, Itália está à beira do colapso e vários países do resto do mundo preparam-se para o pior dos cenários.

Como estão a reagir os sistemas de saúde dos países europeus mais afectados pela pandemia Covid-19, que já chegou a 182 países?

Itália em colapso

Neste país, os médicos são obrigados a escolher entre quem ligam ou não ao ventilador porque faltam camas, ventiladores e pessoal. Entretanto, desembarcaram já médicos e materiais vindos da China. Contudo, Itália continua a ter a mais alta taxa de letalidade desta doença registada em todo o mundo: cerca de 8%, ou seja, o dobro da China, onde o surto teve início.

Em mais de 14 mil mortes, infectados, mais de cinco mil foram registadas em Itália, sobretudo pela detecção tardia da doença e do elevado índice de envelhecimento do país. Por outro lado, o sistema de saúde não estava preparado para a epidemia desta dimensão. 

Continue a ler após a publicidade

Espanha com mais de 400 mortes nas últimas 24 horas

No país vizinho, a situação é igualmente alarmante, como relata o jornal espanhol “El País”, que afirma que, neste momento, as unidades de cuidados intensivos dos grandes hospitais de Madrid estão no limite e dão resposta ao dobro dos doentes que atenderiam em condições normais.

Os meios locais adiantam que começaram já a ser desmarcadas cirurgias consideradas não urgentes para libertar camas. Mas o “El País” dá também conta da falta de equipamentos, como ventiladores, e de pessoal médico.

Continue a ler após a publicidade

Os últimos números oficiais mostram que, dos mais de 341 infectados, mais de 33 mil são em Espanha. O número de mortes no país passou já para mais de duas mil. Nas últimas 24 horas, Espanha contabilizou mais 462 mortes.

Neste segunda-feira, um comunicado do Governo deu conta de que Carmen Calvo, vice-presidente do executivo espanhol, foi hospitalizada devido a uma infecção respiratória. A governante aguarda o resultado dos testes para despiste da Covid-19.

França a derrapar

Segundo o “Le Monde”, os hospitais franceses preparam-se já para o pior dos cenários, principalmente no este e na Ile-de-France, com hospitais apinhados e profissionais de saúde no limite. França regista, neste momento, 16 mil casos de infecção pelo novo coronavírus e quase 700 mortes.

Alemanha com 25 mil camas de cuidados intensivos

Continue a ler após a publicidade

Embora o número de infectados na Alemanha (quase 25 mil) seja superior ao de França, por exemplo, o número de mortes é bastante inferior (94), mostram dados da Organização Mundial de Saúde.

Esta situação pode, segundo o jornal alemão “Deutsche Welle” (DW), ter várias explicações, desde logo pelo facto e o sistema de saúde estar mais bem equipado do que os vizinhos europeus. O “DW” diz que existem 25 mil camas de cuidados intensivos completas com suporte respiratório, enquanto França tem cerca de sete mil e Itália aproximadamente cinco mil.

Por outro lado, Christian Drosten, diretor do Instituto de Virologia do Hospital Charité de Berlim, disse ao “DW” que, na Alemanha a doença foi detectada num estágio inicial e que a capacidade de fazer testes é elevada. Estima-se, aliás, que possam ser testadas 12 mil pessoas por dia na Alemanha, onde fazer o exame é mais fácil do que, por exemplo, em Portugal. Neste país, apresentar sintomas, ter estado em contacto com um caso confirmado ou ter voltado recentemente de uma zona de risco é o suficiente para alguém ser testado.

Finalmente, o facto de, para já, a média de idades da maioria dos infectados se situar entre os 20 e os 50 anos poderá ser outra das explicações. 

Portugal regista sete detenções pelo crime de desobediência

Em território nacional, a Covid-19 já provocou 14 mortos e o número de infectados subiu para 1.600. Há 169 pessoas internadas, 41 nos cuidados intensivos. No domingo, sete pessoas foram detidas pelo crime de desobediência às medidas impostas ao abrigo do estado de emergência.

Em declarações à “RTP3”, Roque da Cunha, do Sindicato Independente dos Médicos, denuncia a falta de equipamentos necessários para a protecção dos profissionais. «Sem protecção não é possível termos capacidade para combater esta terrível epidemia», disse o responsável.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.