«A China tem sido muito clara sobre quais são os seus objectivos estratégicos a longo prazo», disse ao “CNBC” o conselheiro do antigo Presidente dos Estados Unidos Barack Obama para a Segurança nacional. A China constitui, segundo as palavras de James Jones, a «mais séria ameaça» para os Estados Unidos e deve ser «levada muito a sério». «Não estou certo se entendemos até que ponto a China está disposta a substituir os Estados Unidos como a cultura mais dominante do mundo», reafirmou.
Ouvido este domingo, 12 de Janeiro, no Fórum Global de Energia do Atlantic Council, em Abu Dhabi, Jones afirmou que uma das ambições chinesas é «o controlo total do seu próprio povo através da tecnologia». E «estão a fazer progressos espantosos para controlar cada cidadão, façam eles o que fizerem», admitiu.
Criticou também o Sistema de Crédito Social, um mecanismo de pontuação dos cidadãos chinês que recompensa ou penaliza em função dos comportamentos. «Eles estão a pontuar os cidadãos, o que afectará os empregos, as viagens e tudo o mais. É assustador», explicou, acrescentando que a China «pretende obviamente exportar essa ideia».
James Jones considerou que Pequim está a usar uma estratégia de «cavalo de Tróia» para ganhar influência em muitas partes do globo. «Eles entram nas economias, compram tudo o que podem, pagam a toda a gente que podem… Conseguem asfixiar a economia ao máximo e depois fazem exigências», avisou.
O ex-conselheiro de Segurança de Obama defendeu ainda que os Estados Unidos devem competir com a China «em todos os lugares do mundo, incluindo África», e em sectores como a tecnologia, numa referência à implementação do 5G. «É uma competição que os Estados Unidos podem vencer», salientou.
Ainda questionado sobre as manifestações em Hong Kong e se poderão ser um possível entrave para as negociações comerciais entre Estados Unidos e China, questionou: «O comércio é mais importante que os valores humanos?».














