China deixa os EUA e Musk para trás e lança o primeiro chip cerebral comercial da história

Dispositivo foi aprovado para venda, embora, nesta primeira etapa, fique disponível apenas para hospitais chineses

Francisco Laranjeira

Os implantes cerebrais deixaram de pertencer apenas à ficção científica e começam a entrar numa nova fase de aplicação médica, com a China a avançar no lançamento comercial do chip cerebral NEO, noticia o ‘El Economista’. O dispositivo foi aprovado para venda, embora, nesta primeira etapa, fique disponível apenas para hospitais chineses.

A tecnologia ainda não promete superpoderes nem ligação direta à internet. O objetivo atual é médico: ajudar a tratar problemas de saúde e limitações psicomotoras. A Neuralink, de Elon Musk, tornou-se a empresa mais conhecida neste setor, mas não está sozinha. Segundo o jornal espanhol, a China passou agora para a frente com o primeiro chip cerebral disponível comercialmente.

Numa fase inicial, o NEO será usado no tratamento de lesões na medula espinhal e de casos de paralisia, com o objetivo de melhorar ou restaurar funções do sistema nervoso. Mais tarde, a tecnologia poderá também ser aplicada a doentes com depressão, epilepsia, AVC ou doença de Parkinson.

Da medicina ao aumento das capacidades humanas

Atualmente, os projetos de implantes cerebrais estão concentrados em aplicações médicas. O texto recorda que, em Espanha, dois pacientes cegos já conseguiram recuperar parcialmente a visão através deste tipo de tecnologia, mostrando o potencial clínico dos avanços nesta área.

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Mas o debate vai além da medicina. A expectativa é que, quando estes chips se tornarem mais seguros, possam começar a ser considerados por pessoas saudáveis que procurem vantagens competitivas. Nesse cenário, especialistas admitem um possível efeito dominó: à medida que alguns adotem a tecnologia, outros poderão sentir pressão para fazer o mesmo e não ficar para trás.

Entre as capacidades imaginadas para o futuro estão uma memória muito superior à normal, maior concentração sem distrações e até formas de comunicação semelhantes à telepatia. São possibilidades ainda distantes, mas suficientes para alimentar a discussão sobre a transformação gradual dos humanos em seres tecnologicamente aumentados.

O risco de abrir uma porta para o cérebro

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O avanço dos chips cerebrais também levanta preocupações profundas. Anil Seth, professor de neurociência na Universidade de Sussex, citado pelo ‘El Economista’, alerta que o principal problema é a privacidade. Ao permitir acesso à atividade cerebral, argumenta, não se abre apenas uma janela para o que uma pessoa faz, mas potencialmente para o que pensa, acredita e sente.

A segurança digital é outro ponto sensível. Se estes dispositivos vierem a armazenar ou transmitir dados neurológicos, poderão tornar-se alvo de ataques informáticos. A hipótese de hackers acederem a informações cerebrais, ou interferirem de alguma forma com os sistemas ligados ao implante, é um dos cenários que mais preocupa os especialistas.

Por agora, a utilização destes chips continua limitada sobretudo à área médica. Ainda assim, o lançamento comercial do NEO em hospitais chineses marca uma nova etapa: a tecnologia que há poucos anos parecia impossível começa a sair dos laboratórios e a aproximar-se da prática clínica.

O potencial é enorme, mas o dilema também. Os implantes cerebrais podem devolver funções perdidas, tratar doenças complexas e melhorar a qualidade de vida de muitos pacientes. Ao mesmo tempo, obrigam a discutir até onde deve ir a ligação entre cérebro, máquina e dados pessoais.

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