China constrói ponte sobre lago na fronteira disputada com a Índia e levanta tensões entre as duas potências nucleares

A ponte, com 400 metros de comprimento e 8 de largura, está a ser erguida perto da Linha de Controlo Real (LAC), a fronteira disputada entre os dois países que já provocou confrontos

Francisco Laranjeira

A construção de uma ponte sobre o Lago Pangong, na região fronteiriça de Laakh, na Caxemira administrada pela Índia, fez subir o nível de tensão entre as duas potências nucleares. A ponte, com 400 metros de comprimento e 8 de largura, está a ser erguida perto da Linha de Controlo Real (LAC), a fronteira entre os dois países.

O Ministério das Relações Exteriores da Índia já garantiu que a ponte está a ser construída em áreas que estão “sob a ocupação ilegal da China há cerca de 60 anos”, acrescentando que o Governo indiano está a “monitorizar” a atividade de construção “de perto”.

“O Governo está a tomar todas as medidas necessárias para garantir que os nossos interesses de segurança sejam totalmente protegidos”, referiu o porta-voz do ministério, Arindam Bagchi, aos jornalistas. A Índia e a China estão num impasse militar ao longo da ALC na região de Ladakh desde abril de 2020, depois dos dois lados terem feito acusações de invasão. O confronto, em junho desse ano, tornou-se mortal depois de 24 soldados terem sido mortos em combate. O incidente foi seguido por uma mobilização sem precedentes de tropas de ambos os lados da fronteira, tendo sido já realizadas diversas rondas de negociações para resolver o impasse.

A Índia e a China travaram uma guerra por áreas de fronteira disputadas em 1962. Desde então, as duas nações não conseguiram chegar a um acordo sobre a sua fronteira comum, que tem 3.488 km de extensão. “Para que haja acordo, ambos os lados têm de conceder alguma coisa. A China não está disposta a conceder nada. Isso faz parte do seu modus operandi na fronteira”, alertou um especialista de segurança.

Enquanto isso, Pequim negou que a construção da ponte fosse para fins militares e disse que a Índia estava “a interpretar mal” o projeto. “Seria lamentável se alguns na Índia continuassem a interpretar erroneamente o acumular de infraestruturas da China ao longo da fronteira como servindo propósitos militares. É este tipo de mal-entendido que, em certa medida, contribuiu para as tensões contínuas entre os dois países.”

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