China aproveita ‘dor de cabeça’ da NASA para encontrar solução para os seus mísseis

Hélio poderia aumentar a eficiência e o empuxo [força aerodinâmica produzida por uma turbina ou hélice], ao mesmo tempo que reduzia as temperatuas de exaustão

Francisco Laranjeira
Março 8, 2025
11:30

Investigadores chineses terão feito um avanço na propulsão de mísseis e foguetes inspirado nas falhas na nave espacial Starliner da Boeing, ao descobrir que o hélio poderia aumentar a eficiência e o empuxo [força aerodinâmica produzida por uma turbina ou hélice], ao mesmo tempo que reduzia as temperatuas de exaustão.

A descoberta dos cientistas chineses terá sido alegadamente inspirada nos problemas na Starliner, que deixaram dois austronautas da NASA presos na Estação Espacial Internacional (ISS) desde junho de 2024. O problema em questão foi uma fuga de hélio do veículo espacial, sendo que há planos em marcha para fazer regressar os astronautas em algum momento no primeiro trimestre deste ano.

O hélio é comummente utilizado para ajudar a pressurizar os sistemas de combustível, mas essas fugas efetivamente paralisaram a nave espacial. Partindo dessa base, uma equipa de cientistas da Universidade de Engenharia de Harbin, na China, encontrou forma de injetar hélio nos motores de foguetes de combustível sólido, melhorando assim as capacidades de empuxo e furtividade. Essa técnica eficazmente triplicou o impulso dos foguetes de combustível sólido, ao mesmo tempo que reduz dramaticamente a temperatura de exaustão do foguetão.

Problema da NASA é a solução da China

Em teoria, a técnica chinesa poderia ajudar a reduzir as hipóteses de os foguetões serem detetados por sensores infravermelhos. De acordo com os especialistas, como o hélio é um gás ultraleve, pode expandir-se rapidamente quando é injetado na câmara de combustão de um veículo espacial.

Se essa injeção for precisamente controlada, através de minúsculos poros de 2 milímetros, podem ser alcançados resultados impressionantes: a equipa de cientistas descobriu que a eficiência de impulso poderia aumentar em 5,77%. Ao mesmo tempo, o motor do foguetão recebeu 300% mais impulso, enquanto a temperatura foi reduzida em 1.327°C, tornando mais desafiadora a deteção por sensores de procura de calor – os cientistas relataram que o voo permanece suave, devido à natureza inerte do hélio, que evita a instabilidade da combustão, ao contrário de alternativas voláteis como o hidrogénio.

A equipa de cientistas, liderada por Yang Zenan, publicou as suas descobertas na revista chinesa ‘Acta Aeronautica et Astronautica Sinica’ neste mês, sendo que o conceito foi testado através de simulação de computador – é importante na medida em que os sistemas modernos de defesa de mísseis, como os satélites Starshield da SpaceX e o intercetor SM-3 Block IIA, dependem da deteção do calor dos foguetões: o hélio pode forneceer um meio de contornar esses sistemas.

A capacidade de ajustar o impulso em tempo real pode permitir que os mísseis alterem velocidades de forma imprevisível, tornando-os mais difíceis de intercetar. O método também pode ser aplicado a sistemas de lançamento espacial de combustível sólido, permitindo a implantação rápida e económica de satélites.

Se os relatórios sobre essa descoberta forem precisos, isso poderia avançar significativamente as capacidades dos mísseis chineses, especialmente na guerra hipersónica. No entanto, também há benefícios potenciais críticos fora da tecnologia militar. Por exemplo, também tem aplicações civis em viagens espaciais, tornando os foguetes mais eficientes e económicos.

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