Chegou o Brexit? Bruxelas diz que Reino Unido já saiu da UE há muito tempo

O futuro relacionamento ainda pode estar algures longe no tempo, mas a UE pós-Brexit já está aqui – tomou forma muito antes do dia do Brexit, quando os britânicos, para fins mais práticos, fizeram a sua saída há séculos.

Executive Digest

O futuro relacionamento ainda pode estar algures longe no tempo, mas a UE pós-Brexit já está aqui – tomou forma muito antes do dia do Brexit, quando os britânicos, para fins mais práticos, fizeram a sua saída há séculos.

Quando a UE acordar no sábado de manhã e a Grã- Bretanha tiver saído, é uma ocasião para reflectir sobre como o bloco já se adaptou à sua nova realidade.

“A Grã-Bretanha nunca esteve totalmente na UE e também pode nunca estar totalmente fora”, diz o “Politico”.

Mesmo quando o processo do Brexit estava irremediavelmente travado em Westminster, Bruxelas ajustava as suas posturas em questões como ampliação, segurança e defesa – ficando mais relutante em aceitar novos membros (algo que a Inglaterra defendeu há muito tempo) e exibindo mais abertura à cooperação militar (algo que a Grã-Bretanha é historicamente contra).

Há também um novo equilíbrio de poder, ainda que incerto, entre Paris e Berlim substituindo o triângulo no qual os britânicos serviam como mediador entre franceses (felizes) e os alemães (austeros), avança o “Politico”.

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Quando o Reino Unido recuou, novas coligações de países da União Europeia acabaram por se formar, por exemplo, entre a Holanda, a Irlanda e os nórdicos, para substituir o instinto britânico por políticas económicas mais liberais e mercantilistas.

Terminar um relacionamento é sempre difícil. A menos, é claro, que se divida há três anos e 221 dias; nesse caso, isso acaba por ser tornar uma segunda natureza, alerta o “Politico”.

Mas enquanto a partida britânica criou uma clara abertura para as tendências de França, Paris não a capitalizou – em parte, porque o presidente francês Emmanuel Macron, um ex-banqueiro, tem uma mente mais liberal do que muitos dos seus antecessores, e em parte porque Berlim, Haia e outras capitais persistem com as ideias.

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E embora a retirada do Reino Unido tenha dado maior peso e foco às visões (sempre pesadas) da Alemanha e França, não trouxe tomadas de decisão comprovadamente mais rápidas ou mais eficientes. O Brexit rendeu uma maior unidade da UE no sentido mais existencial – mesmo críticos severos de Bruxelas raramente falam mais em abandonar o bloco – mas não curou divisões ferozes em áreas como política externa ou esfriou as múltiplas rivalidades internas como a fenda persistente entre o Oriente e oeste.

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