Chega perde cinco vereadores em pouco mais de três meses após as autárquicas

Pouco mais de três meses depois das eleições autárquicas de Outubro, o Chega já viu cinco vereadores abandonarem o cargo ou o partido, num fenómeno que fragiliza a sua implantação local e que poderá ainda agravar-se.

Pedro Zagacho Gonçalves

Pouco mais de três meses depois das eleições autárquicas de Outubro, o Chega já viu cinco vereadores abandonarem o cargo ou o partido, num fenómeno que fragiliza a sua implantação local e que poderá ainda agravar-se. No Funchal, dois eleitos admitem passar a independentes, o que poderá reduzir ainda mais a maior força autárquica conquistada pelo partido nestas eleições.

O caso mais recente ocorreu em Lisboa, onde Ana Simões Silva anunciou, a 19 de Janeiro, a sua desfiliação do Chega, após uma relação degradada com Bruno Mascarenhas, cabeça-de-lista do partido na capital. A vereadora acusou o dirigente de ignorar as suas posições políticas e de lhe vedar o acesso ao gabinete, justificando a saída com “incompatibilidades políticas intransponíveis dentro do gabinete da vereação do partido Chega”.

Apesar da rutura, Ana Simões Silva garantiu ao Diário de Notícias que não tem nada “contra o partido ou contra André Ventura” e confirmou que se manterá na Câmara Municipal de Lisboa como vereadora independente, admitindo mesmo a possibilidade de assumir pelouros no executivo liderado por Carlos Moedas. O caso teve particular visibilidade por Lisboa ter sido um dos concelhos onde a disputa pelo último lugar de vereador obrigou à recontagem de votos.

Situação semelhante verificou-se em Coimbra, onde Maria Lencastre Portugal, única vereadora eleita pelo Chega, anunciou a 11 de Janeiro a desvinculação do partido, mantendo o mandato como independente. Em comunicado, alegou uma “incompatibilidade objetiva” entre as orientações internas do Chega e a sua visão do exercício do mandato autárquico, que entende dever assentar “na autonomia dos eleitos e na representação direta dos cidadãos”, criticando orientações partidárias que considera incompatíveis com o mandato livre consagrado na lei.

No Funchal, os dois vereadores eleitos pelo Chega, Luís Filipe Santos e Jorge Afonso Freitas, admitem igualmente exercer o mandato como independentes. Num comunicado citado pela imprensa regional, referem que está a ser avaliada essa possibilidade ou, em alternativa, “uma solução política dialogada com a direção nacional do Chega”, depois de declarações do líder regional do partido, Miguel Castro, terem “acentuado um distanciamento institucional anteriormente existente”. Segundo os eleitos, estão em causa divergências quanto a métodos internos, comunicação e procedimentos, que consideram desalinhados com princípios de “responsabilidade, seriedade e respeito institucional”.

Continue a ler após a publicidade

As saídas começaram ainda antes da tomada de posse. Em Odemira, Rui Campos Silva renunciou ao cargo, em Mirandela Luís Saraiva desfiliou-se por “divergências intransponíveis” com a direção distrital, e na Azambuja Maria Inês Louro acabou afastada após a autarquia considerar eficaz o pedido de renúncia apresentado no dia seguinte às eleições. O partido perdeu também eleitos em freguesias do Porto, onde quatro membros passaram a independentes, elevando para cinco o número de eleitos perdidos apenas naquele município.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.