Centenas de soldados russos estão a recusar combater na Ucrânia, optando por serem transferidos e demitidos do exército. Em muitos casos escolhem enfrentar uma punição pela sua recusa, pois sabem que esta será leve, uma vez que a Rússia, tecnicamente, não está em guerra. Afinal, o Kremlin continua a defender que a sua ofensiva na Ucrânia é uma “operação militar especial”.
O The Guardian falou com um soldado da brigada de elite do exército russo, identificado como Dmitri no artigo do jornal britânico, pois preferiu não revelar o seu verdadeiro nome.
Dmitri contou ao The Guardian que, quando disseram à sua brigada no início de abril que tinha de se preparar para um segundo destacamento para a Ucrânia, os soldados ficaram assustados com essa ideia.
A brigada de Dmitri esteve na Ucrânia no início do conflito e testemunhou os combates sangrentos no terreno. “Muitos de nós simplesmente não queriam regressar”, afirmou Dmitri. “Quero voltar para a minha família e não num caixão”.
Juntamente com outros oito soldados, Dmitri disse aos seus comandantes que se recusava a voltar a lutar na Ucrânia. “Eles ficaram furiosos. Mas eventualmente acalmaram-se porque não havia muito que pudessem fazer”, relatou.
Pouco depois, Dmitri foi transferido para Belgorod, uma cidade russa próxima da fronteira com a Ucrânia. “Não tenho motivos para me sentir envergonhado. Não estamos oficialmente em estado de guerra, por isso não me podem forçar a ir”, explicou.
O caso de Dmitri ilustra a dificuldade do exército russo face à decisão do Kremlin em não declarar oficialmente guerra à Ucrânia. Sob as regras militares russas, os soldados que se recusem a lutar na Ucrânia podem ser dispensados, mas não processados judicialmente, referiu Mikhail Benyash, um advogado que tem aconselhado soldados russos que preferem não combater no país vizinho.
O advogado revelou que “centenas e centenas” de soldados já contataram a sua equipa para pedirem conselhos de forma a evitarem combater na Ucrânia.














