Dois comboios colidiram frontalmente em Larissa, na Grécia, matando mais de 30 pessoas e fazendo largas dezenas de feridos. Numa altura em que as autoridades ainda investigam o caso, especialistas ouvidos apontam para que a tragédia tenha sido causada por “erro humano”, já que os sistemas eletrónicos de controlo a bordo dos comboios “não funcionam há anos”.
O comboio de passageiros de Atenas para Tessalónica seguia, por uma razão ainda por explicar, no lado esquerdo da ferrovia, reservado a composições que seguem para sul do país. Por isso, ao chegar ao local do acidente, acabou por colidir violentamente com um comboio de mercadorias que circulava no sentido contrário, mas na mesma linha.
Dois responsáveis ferroviários foram alvo de interrogatório policial, sendo que um deles acabou detido. À AFP, a polícia adianta que “o chefe da estação de Larissa foi detido”. Trata-se de um homem com 59 anos.
O presidente da associação grega de maquinistas, Kostas Genidounias, revelou em entrevista à ERA que os sistemas eletrónicos que avisam os maquinistas de potenciais perigos não estão a funcionar no interior dos comboios há muito tempo.
“O impensável aconteceu. Dois comboios a andar nos mesmos carris. Nada funciona, temos de fazer tudo manualmente. Estamos sempre em ‘modo manual’ na rede entre Antenas e Tessalónica”, aponta o responsável, sublinhando que nem os indicadores de circulação (semáforos) ou o controlo eletrónico de tráfego ferroviário estavam em funcionamento.
Assim, quando sai da estação de Atenas, o chefe dá a ‘luz verde’ para que o comboio siga para a estação seguinte, e o procedimento é repetido em cerca de 15 pontos em todo o percurso, já que nenhum sistema eletrónico de monitorização ou de deteção com fotografias está a funcionar.
“Os maquinistas recebem as ordens onde quer que vão. O que nos dizem, nós fazemos”, explicou o especialista, dizendo que têm sido recorrentes os protestos por causa deste problema.
Giannis Ditsas, outro responsável ferroviário, aponta que as medidas de segurança no sistema grego são “arcaicas e muito desatualizadas”.
Na Open TV, afirmou que os dois comboios estavam a circular nos mesmos carris entre 10 a 12 minutos antes da colisão, mas que não havia qualquer sistema eletrónico que avisasse os maquinistas para o perigo de colisão iminente.
“Só o chefe da estação tem a capacidade de ver eletronicamente o movimento dos comboios. Se ele tivesse visto o perigo, teria alertado os maquinistas e dado ordem de paragem aos comboios”, lamenta o especialista.
Com efeito, ainda antes do chefe da estação de Larissa ser detido, na sequência da colisão entre composições, as autoridades já tinham revelado que tudo apontava para que a tragédia tivesse sido causada por “erro humano”.




