ChatGPT pode não só eliminar empregos mas também criá-los… e com salários milionários superiores a 300 mil euros

Em apenas quatro meses, o ChatGPT é já considerada a aplicação de consumo que mais cresce na história – chegou aos 100 milhões de utilizadores ativos mensais e os números não param de crescer

Francisco Laranjeira
Abril 3, 2023
13:20

Em apenas quatro meses, o ChatGPT é já considerada a aplicação de consumo que mais cresce na história – chegou aos 100 milhões de utilizadores ativos mensais e os números não param de crescer. A sua chegada foi impactante, não há dúvida: há os retratores, que salientaram a ameaça que a Inteligência Artificial (IA) pode constituir mas também os entusiastas, que veem nela uma oportunidade tecnológica.

O criador, Sam Altman, diretor executivo da OpenAI e criador do ChatGPT, observou que a “IA vai remodelar a sociedade como a conhecemos”, tendo reconhecido ter “um certo medo do que pode acontecer”.

O receio que a IA possa ameaçar empregos é justificado, precisou Altman. “É provável que substitua alguns empregos num futuro próximo”, revelou, salientando “ter medo da rapidez com que isso possa acontecer”, sem que a sociedade esteja preparada para as mudanças.

“Acho que, ao longo de algumas gerações, a humanidade mostrou que pode se adaptar perfeitamente a grandes mudanças tecnológicas”, frisou. “Mas se isso acontecer em poucos anos… essa é a parte que mais me preocupa”, reconheceu, tendo encorajado as pessoas a verem o ChatGPT como um aliado e não um substituto. “A criatividade humana é ilimitada e encontramos novos empregos. Encontramos novas coisas para fazer.”

Nesse contexto, a IA abre oportunidades de trabalho: há empresas que estão dispostas a pagar ordenados milionários para atrair talentos especializados nesse tipo de tecnologia.

Uma publicação recente da ‘Bloomberg’ apontou que há empresas estão a oferecer salários até 310 mil euros para trabalhar como ‘engenheiro de pedidos’, o cargo em que as pessoas passam o dia a instruir a IA a produzir melhores resultados.

“Mais de uma dúzia de sistemas de linguagem de IA chamados modelos de linguagem grandes, ou LLMs, foram criados por empresas como a Alphabet Inc., controladora do Google, OpenAI e Meta Platforms Inc. A tecnologia passou rapidamente da experiência para uso prático, com empresas como a Microsoft Corp a integrar o ChatGPT no seu mecanismo de busca Bing e na ferramenta de desenvolvimento de software GitHub. À medida que a tecnologia prolifera, muitas empresas descobrem que precisam de alguém para acrescentar rigor aos seus resultados”, sublinhou a publicação.

Empresas como a Anthropic, uma startup apoiada pelo Google, anunciou recentemente ordenados de até 310 mil euros para um “Fast Engineer and Librarian” em São Francisco. A Klarity, também na Califórnia, está a oferecer até 211 mil euros para um engenheiro de aprendizagem de máquina. Também o Boston Children’s Hospital e o escritório de advocacia londrino, Mishcon de Reya, abriram vagas semelhantes.

Os cargos mais bem pagos geralmente vão para pessoas com doutoramentos em aprendizagem de máquina ou ética, ou aquelas que fundaram empresas de IA. Segundo os recrutadores, estas são algumas das habilidades críticas necessárias para ter sucesso. “É provavelmente o mercado de IT de mais rápido crescimento em que trabalhei por 25 anos”, sustentou Mark Standen, que dirige os negócios de IA, aprendizagem de máquina e automação da Hays, no Reino Unido e na Irlanda.

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