Paulo Macedo, presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), assegurou que o banco está a pedir os «documentos que estão previstos», rejeitando que se peçam demonstrações financeiras de 2019 para o acesso às linhas de crédito. «A Caixa não pede», reiterou.
Contudo, o presidente executivo do banco público fez notar que «toda a actividade do crédito se baseia em informação» para «distinguir o custo do risco», ao apurar «se uma empresa tem uma determinada solidez ou rentabilidade e pode fazer face ao serviço da dívida». «Senão é mesmo dar ao invés de emprestar», considerou.
«Uma coisa são as micro e pequenas empresas, que têm contabilidade simplificada e dependem do conhecimento que os bancos têm do seu historial», enquanto clientes «e da sua prática de ano». «Outra coisa é uma média e grande empresa, onde emprestamos milhões e tem de ter balancetes e documentos com informação detalhada. Não se empresta nem dinheiro da Caixa, que é dos contribuintes, sem ter informação», ressalvou.
O presidente da CGD está a ser ouvido, nesta quarta-feira, na Comissão de Orçamento e Finanças, por requerimento do CDS-PP. Faz-se acompanhar por Francisco Ravara Cavy, administrador executivo da CGD. Além de Paulo Macedo, Além de Paulo Macedo, os deputados chamaram ao Parlamento os responsáveis do BPI, BCP, Santander e do Novo Banco para perceber perceber como estão a funcionar as medidas adoptadas para apoiar as famílias e empresas afectadas pela pandemia de Covid-19, assim como o papel dos bancos nesta crise.
Quanto à documentação requerida pelo SPGM, esses «são pedidos e nós cumprimos», afirmou, lembrando que da primeira linha para a segunda «houve um conjunto adicional de documentos que passou a ser pedido».
Referindo-se à Linha de Apoio à Economia Covid-19, garantiu: «Temos a generalidade da aprovação» aos pedidos dos créditos.
Quanto aos juros, a CGD está a cobrar 1,25% nos pequenos negócios e menos de 1% nos negócios.
Paulo Macedo fez questão de apontar que, «nesta crise, todos os bancos querem dar crédito e têm ampla liquidez». «A Caixa fez o seu trabalho e pode emprestar à economia 13 mil milhões de euros», assinalou.
«A CGD tem uma responsabilidade social», mas «não tem qualquer responsabilidade de emprestar dinheiro a quem não tem condições de pagar», considerou Paulo Macedo, defendendo que «não é para isso que serve um banco público».
Nova linha para micro empresas
O presidente da CGD referiu aos deputados que o banco público tem 10,7 mil milhões de euros em financiamento a caminho das empresas. Paulo Macedo disse ainda que um conjunto de 2,4 mil milhões de euros em créditos estão sob moratórias.
Em novo financiamento concedido nos meses da crise, fora das linhas protocoladas para receber garantias do Estado, foram emprestados 1,8 mil milhões de euros, aos quais há que somar as linhas criadas no âmbito da crise do novo coronavírus: 4,3 mil milhões de euros aprovados na CGD, num total de 26 mil operações, que dependem da aprovação das sociedades de garantia mútua. Nesta contas, Macedo englobou também outros 4,6 mil milhões de euros em linhas pré-aprovadas pela CGD.
Tendo em conta a quota reduzida, face às fatias do Novo Banco e Santander, na Linha Capitalizar Covid-19, de 400 milhões de euros, já esgotada, Paulo Macedo anunciou que irá ser aberta uma linha de 430 milhões apenas para micro empresas. Terá, no entanto, «condições diferentes», uma vez que não será garantida pelo Estado. «Não temos ninguém a garantir-nos 80% ou 90%», apontou.
«Há empresas que precisam muitíssimo e agora de liquidez», disse ainda. No entanto, «de acordo com o inquérito do INE e com a nossa experiência, há 50% das empresas não querem dinheiro», atirou.
Moratórias em créditos de 2,4 mil milhões
Relativamente às moratórias, Paulo Macedo anunciou que a CGD já concedeu quase 30 mil moratórias do Estado, num valor global de 2,4 mil milhões de euros, para apoiar famílias e empresas. Às famílias, detalhou o presidente da CGD, o banco já sinalizou mais 20 mil moratórias pedidas pelas famílias, num total de 1,4 mil milhões de euros, enquanto nas empresas o número de pedidos é de 9.600, num total perto de mil milhões.
Macedo não avançou, ainda assim, o total de moratórias concedidas.
O presidente da CGD estimou ainda imparidades superiores a mil milhões de euros, ainda que menores à crise anterior, antecipando que só comecem a ser registadas no balanço do quarto trimestre da CGD. Na crise passada, a «Caixa teve mais sete mil milhões de imparidades e o sistema tinha mais de 20 mil milhões», apontou, sublinhando que «temos de evitar de chegar a estes números».
CGD admite adiar e cortar prémios de administradores e trabalhadores
Paulo Macedo esclareceu também que a Caixa irá reter os dividendos de 300 milhões do Estado: «Nesta assembleia geral não há qualquer proposta para dividendos. A proposta é de reter os lucros para reservas». Porém, o presidente do banco público considerou que existiam condições, porque a CGD tem rácios de capitais «bastante sustentáveis», vincou.
«No meu caso, eu não abdicarei do valor prémio integral», uma vez que irá pedir um adiamento. Relativamente aos trabalhadores e outros membros da comissão, «o que nós aconselharemos é um diferimento e uma redução», explicou o presidente da Caixa.
Recorde-se que o poder político apelou, desde o início da actual crise, ao contributo dos bancos. O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse estar à espera de ver a banca «retribuir aos portugueses».
Também o chefe do Governo, António Costa, chegou mesmo a afirmar que os bancos têm uma «função de responsabilidade social muito grande que têm que assumir», até porque têm consciência da sua responsabilidade na crise de 2008 e do que foram ajudados».
Já o líder dos sociais-democratas, Rui Rio, defendeu na Assembleia da República que a «banca não pode querer ganhar dinheiro com a crise» e que o objectivo do sector em 2020 e 2021 «tem de ser lucro zero».
Além da CGD, vai ser recebido, de seguida, o presidente do Novo Banco, António Ramalho.
A nível global, segundo um balanço da “Agence France-Press”, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 176 mil mortos e infectou mais de 2,5 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 567 mil doentes foram considerados curados.
Portugal regista, neste momento, 21.379 casos confirmados de infecção por Covid-19 (+516 do que ontem) e 762 vítimas mortais associadas ao novo coronavírus (+27), segundo o boletim epidemiológico da Direção Geral da Saúde desta terça-feira, dia 21 de Abril.
O Governo decretou o estado de emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».
*Notícia actualizada às 12:07














