A cidade autónoma espanhola de Ceuta viveu uma noite marcada por vários episódios de violência e vandalismo, com três automóveis incendiados, contentores destruídos pelo fogo, incêndios em zonas de mata e confrontos entre migrantes em diferentes pontos da cidade. Os acontecimentos são descritos como a noite mais grave desde a entrada em massa de migrantes registada a 30 de julho.
Durante a madrugada, bombeiros e forças policiais foram mobilizados para responder a vários incidentes que ocorreram em locais distintos de Ceuta. Segundo fontes policiais espanholas e do Serviço de Extinção de Incêndios citadas pela EFE, foram registados vários “incêndios intencionais”, que atingiram veículos e contentores.
Os bombeiros tiveram de intervir depois de três automóveis estacionados serem incendiados. Um dos veículos encontrava-se no Polígono, outro na zona de Hadú e um terceiro na área de Cría Caballar. A estas ocorrências juntaram-se incêndios em até três contentores situados noutros pontos da cidade, embora, até ao momento, não tenha sido determinada a autoria destes atos.
A noite de violência não ficou limitada aos veículos e aos contentores. Vários objetos foram igualmente incendiados em zonas de mata de Ceuta, sobretudo em áreas onde existem acampamentos ilegais de migrantes.
Uma das zonas afetadas foi o Arroyo de las Bombas, no bairro do Príncipe, onde as autoridades registaram fogos associados a objetos existentes nesses acampamentos. A sucessão de ocorrências obrigou os serviços de emergência a deslocarem-se a diferentes locais ao longo da madrugada.
Em paralelo com os incêndios, as forças de segurança tiveram de intervir para travar confrontos entre migrantes. Um dos episódios ocorreu na praia do Trampolín, enquanto outro foi registado nas proximidades do Polígono, tendo este último acontecido antes de um automóvel ser incendiado na mesma zona.
A sequência de incidentes levou a uma presença reforçada das autoridades em diferentes pontos da cidade, numa madrugada que acabou por envolver simultaneamente bombeiros e forças policiais.
Guardia Civil denuncia madrugada “complicada”
A Associação Unificada de Guardas Civis (AUGC) classificou a madrugada como “complicada” e denunciou que um agente da Guardia Civil acabou por ser atingido no ombro por uma pedra quando se deslocava para prestar serviço num dos locais onde tinha ocorrido um incêndio.
Para a associação, os acontecimentos não devem ser encarados como episódios pontuais. A AUGC alertou que não se trata de “casos isolados” e reclamou um reforço “urgente” dos dispositivos de segurança e emergência destacados em Ceuta.
A posição da associação surge depois de uma noite em que diferentes equipas de emergência tiveram de responder a incêndios provocados de forma intencional, enquanto a polícia era chamada a intervir em confrontos entre migrantes em vários pontos da cidade.
Os incidentes ocorrem num contexto particularmente sensível em Ceuta desde a entrada em massa de migrantes registada a 30 de julho. Perante a dimensão dos acontecimentos desta madrugada, as autoridades e os serviços de emergência enfrentaram uma sucessão de ocorrências que a AUGC considera suficientemente grave para justificar o reforço dos meios de segurança na cidade.














