Certificados de imunidade já estão a levantar dúvidas em Portugal

Graça Freitas, diretora-geral de Saúde, revelou, no início deste mês, que Portugal vai fazer testes serológicos para apurar a percentagem da população que adquiriu imunidade à Covid-19. Na última reunião com os epidemiologistas, na passada terça-feira, o Presidente da República e o primeiro-ministro reiteraram o pedido aos peritos para que apresentem, no encontro desta quarta-feira, dia 15 de Abril, uma previsão do número de pessoas que podem ser libertadas para a economia, de forma a aumentar a taxa de imunidade sem colocar em risco o controlo da doença.

Revista de Imprensa

Graça Freitas, diretora-geral de Saúde, revelou, no início deste mês, que Portugal vai fazer testes serológicos para apurar a percentagem da população que adquiriu imunidade à Covid-19. Na última reunião com os epidemiologistas, na passada terça-feira, o Presidente da República e o primeiro-ministro reiteraram o pedido aos peritos para que apresentem, no encontro desta quarta-feira, dia 15 de Abril, uma previsão do número de pessoas que podem ser libertadas para a economia, de forma a aumentar a taxa de imunidade sem colocar em risco o controlo da doença. Mas, segundo a “Sábado”, a imunidade adquirida pode ser temporária.

Pouco mais de um mês depois de detectados os primeiros casos de infecção pelo novo coronavírus, no passado dia 2 de Março, 277 já recuperaram (dados desta segunda-feira, dia 13 de Abril). De acordo com a revista, este grupo ganhou imunidade e, em princípio, não voltará a ser infectado, uma vez que, ao combater a doença, o organismo cria anticorpos específicos que detectam o vírus para em seguida o destruir. Estes anticorpos permanecem em circulação e se a pessoa voltar a ser contaminada rapidamente identificam o vírus e impedem-no de se replicar.

Em declarações à “Sábado”, o médico de saúde pública Lúcio Menses de Almeida explica que «quando 50 a 60% da população tiver sido infectada, o vírus deixa de conseguir circular de forma sustentada. Esta é, segundo a revista, a percentagem indicadora da imunidade de grupo, quando um número suficiente de pessoas for imune ao novo coronavírus, permitindo voltar à «normalidade». Em Portugal, esse número rondará entre os cinco e os seis milhões, muito longe dos actuais 277 que testaram positivo para Covid-19 e, entretanto, recuperaram.

Agora, os cientistas vão usar amostras de sangue desses doentes recuperados, dilui-lo e depois colocá-lo em contacto com a proteína do vírus. Caso o soro do sangue tiver anticorpos, estes ligam-se à proteína. «Conseguimos detectar essa ligação e ver a quantidade de anticorpos específicos no sangue.» Depois, é preciso ter a certeza de que são os anticorpos da Covid-19 que foram detectados pelo teste, assim como verificar a sensibilidade do teste na detecção no número de anticorpos, tarefa que irá demorar entre cerca de duas a três semanas.

«Precisamos de saber qual é a percentagem de pessoas que estão imunes para perceber qual a evolução da pandemia», resume Pedro Simas, virologista do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes da Universidade de Lisboa, que está a desenvolver o teste juntamente com o Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica, com o Centro de Estudos de Doenças Crónicas da Universidade Nova de Lisboa e o Instituto Gulbenkian da Ciência. Pedro Simas sublinha ainda que, estas pessoas poderão «ser libertadas para a sociedade e assim poder-se-á ganhar mais tempo para encontrar outras formas de lidar com o vírus».

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Como funciona o teste?

Produzido em Portugal, será semelhante a um kit de teste de gravidez em que bastará uma gota de sangue, obtida através de uma picada num dedo, para se obter positivo ou negativo. Pedro Simas garante que «não será caro» e poderá ser feito em regime ambulatório.

Porém, a “Sábado” acrescenta que teme-se que os certificados de imunidade se tornem num instrumento valioso e que muitas pagam ou mintam para conseguir um. Também ainda ninguém sabe como seriam emitidos e fiscalizados os certificados. Mais: ninguém sabe com certeza o grau de imunidade dos recuperados. É por isso que os especialistas querem realizar os testes serológicos várias vezes durante, pelo menos, um ano.

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O novo coronavírus, detectado em Dezembro na China, já causou mais de 112 mil mortos em todo o mundo e infectou mais de 1,8 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Dos casos de infecção, quase 375 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

Portugal tem, neste momento, 16.934 casos confirmados de infecção por Covid-19, mais 349 casos que no dia anterior, enquanto o número de mortes passou para 535 nas últimas 24 horas, segundo o último boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde.

O país encontra-se em Estado de Emergência desde de 19 de Março e até ao final do dia 17 de Abril.

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