Cerca de 9 em cada 10 pessoas que vivem em cidades estão expostas a altos níveis de poluição do ar, conclui estudo

Estudo publicado no ‘The Lancet Planetary Health’ garante que esta situação acabou por resultar em 1,9 milhões de mortes em 2019

Francisco Laranjeira

Cerca de 9 em cada 10 pessoas que vivem em cidades em todo o mundo estão expostas a altos níveis de poluição do ar, o que acabou por resultar em 1,9 milhões de mortes em 2019, de acordo com um estudo publicado no ‘The Lancet Planetary Health’, que examinou mortes, doenças e poluição em mais de 13 mil cidades globais e mostrou que os níveis médios de pequenas partículas nocivas no ar em áreas urbanas permaneceram inalterados desde 2000, apesar dos declínios significativos nas Américas, Europa e África.

Os investigadores sugeriram que mais de 600 mil vidas poderiam ter sido salvas se as autoridades tivessem alcançado as metas de poluição estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Os resultados mostraram a necessidade urgente de melhorar a qualidade do ar nas cidades e reduzir a exposição à poluição, especialmente para os idosos e crianças, que têm maior probabilidade de morrer de doenças relacionadas com a poluição, segundo apontaram os autores do estudo. Mais de metade da população mundial vive em cidades.

O estudo debruçou-se sobre dados ao longo de 20 anos relacionados com apenas uma medida de poluição do ar, o PM2.5, partículas nocivas que medem menos de 2,5 micrómetros de diâmetro (um micrómetro é equivalente a um milionésimo de um metro). A inalação das partículas aumenta o risco de morte prematura por doenças cardíacas e pulmonares e cancro.

A OMS estima que mais de 4 milhões de pessoas morrem a cada ano no mundo devido às condições relacionadas à poluição do ar externo, com grande parte do problema causado pelo tráfego rodoviário. O estudo, realizado por especialistas dos Estados Unidos e Canadá, descobriu que 2,5 mil milhões de pessoas (86% das pessoas que vivem nas cidades do mundo) foram expostas a níveis prejudiciais de poluição, acima das metas da OMS. A média de PM2.5 em todas as áreas urbanas do mundo era de 35 microgramas por metro cúbico em 2019 – sete vezes superior à diretriz da OMS. Os autores do estudo estimaram que 61 em cada 100 mil mortes em áreas urbanas foram atribuídas a PM2.5 em 2019.

A taxa mais alta, de 86 por 100 mil mortes, foi registada no Sudeste Asiático, enquanto a mais baixa foi nas Américas. A região do Mediterrâneo Oriental – que inclui o Oriente Médio e Norte da África – estava logo abaixo da média global de 50.

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“A maioria da população urbana mundial ainda vive em áreas com níveis prejudiciais de PM2.5”, referiu a autora principal do estudo, Veronica Southerland, da George Washington University nos Estados Unidos. “Evitar a grande carga de saúde pública causada pela poluição do ar exigirá estratégias que não apenas reduzam as emissões, mas também melhorem a saúde pública geral para reduzir a vulnerabilidade.”

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